Gilmar Mendes diz que divergências com Mendonça não significam desunião do STF
Ao se despedir da presidência da 2ª Turma, ministro afirma que desentendimentos sobre investigações do Master são naturais em colegiado e não indicam falta de união entre ministros.
Por Diário Local
Ao se despedir da presidência da 2ª Turma do Supremo Tribunal Federal, o ministro Gilmar Mendes declarou que divergências com o colega André Mendonça sobre as investigações do Banco Master não representam "desunião da Corte". A transição ocorre nesta terça-feira (30 de junho), quando termina o mandato de Gilmar à frente do colegiado.
A partir de agosto de 2026, o ministro Luiz Fux assume a presidência da 2ª Turma. O colegiado é responsável por julgar todos os casos envolvendo a operação Compliance Zero, que apura fraudes do Master.
O desafio do Master
Durante a sessão de despedida, Gilmar afirmou que a "supervisão judicial" das investigações é um dos temas mais desafiadores na agenda da turma. Segundo o ministro, poucos casos desafiam tantas premissas do exercício da função contramajoritária como este.
"Um caso de elevada repercussão que envolve réus politicamente expostos e submetidos a um intenso processo midiático de estigmatização", descreveu. Gilmar ressaltou que se trata de investigação penal de alto impacto e que os limites aos órgãos de investigação não devem ser confundidos com estímulo à impunidade.
Gilmar tem protagonizado divergências com André Mendonça, relator do inquérito, ao questionar excessos que, segundo sua avaliação, lembram a operação Lava Jato.
Divergência como força
"Gostaria de reiterar a confiança que deposito no relator e nesta 2ª Turma. Eventuais divergências quanto ao mérito de determinada medida processual não são sinônimos de desunião da Corte", pontuou o ministro.
Gilmar destacou que a divergência é uma das principais características dos órgãos colegiados e que pensamentos distintos possibilitam um julgamento mais completo. "O voto divergente de hoje pode ser o voto prevalecente de amanhã", afirmou.
Em resposta, Luiz Fux reafirmou que na sua presidência atuará para que divergências "jamais representem discórdia", mas sim um "dissenso com respeito à independência dos integrantes" da turma.
