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Jaques Wagner deixa liderança do governo no Senado em 'acordo' com Lula após ser alvo da PF

O senador anunciou a saída em 'comum acordo' com Lula dias após ser alvo de operação da Polícia Federal que apura irregularidades no Banco Master

Por Diário Local

O senador Jaques Wagner (PT-BA) deixou o cargo de líder do governo no Senado Federal na quarta-feira (24) após uma reunião com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Palácio da Alvorada. A saída foi anunciada pelo próprio senador como uma decisão tomada em "comum acordo" com Lula.

Em publicação nas redes sociais, Wagner afirmou que a conversa com o presidente foi "entre amigos". Ele declarou que sua prioridade será provar sua inocência e que pretende se dedicar à campanha de reeleição de Lula e do governador Jerônimo Rodrigues, além de buscar o próprio mandato ao Senado junto com Rui Costa.

Integrantes do governo e do Partido dos Trabalhadores (PT) defendiam a saída do senador da liderança para evitar que os desdobramentos da investigação contaminassem a campanha de reeleição do presidente. Apesar dessa pressão interna, Wagner havia resistido a deixar o cargo.

A mudança veio somente após o encontro com Lula. A avaliação de ministros do governo era de que a permanência de Wagner havia se tornado insustentável, sobretudo porque o presidente havia saído em defesa do senador em um primeiro momento — situação que, segundo essa avaliação, poderia prejudicar a popularidade de Lula a quatro meses da disputa eleitoral.

A saída ocorre quase uma semana após Wagner ter sido alvo da 9ª fase da Operação Compliance Zero, conduzida pela Polícia Federal (PF). A investigação apura supostas irregularidades envolvendo o Banco Master, do empresário Daniel Vorcaro.

Na ação, foram apreendidos US$ 55 mil em espécie — equivalentes a cerca de R$ 285 mil — e 33,5 mil euros (R$ 199 mil). A Polícia Federal também confiscou mais de dez relógios.

Compliance Zero e outros alvos

Além de Wagner, a 9ª fase da operação mirou Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro e empresário ligado à expansão do Credcesta, produto apontado como um dos principais negócios vinculados à estrutura do Banco Master.

Antes de atingir nomes ligados ao PT, os desdobramentos da Compliance Zero haviam se concentrado principalmente em figuras da centro-direita. O senador Ciro Nogueira (PP-PI), presidente do Progressistas, foi um dos principais alvos da investigação.

Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, também sofreu desgaste em desdobramentos da operação, em caso relacionado ao filme Dark Horse.

Trajetória política

Wagner foi eleito senador pela Bahia em 2018 com 4,253 milhões de votos — a maior votação já registrada por um candidato ao Senado na história do estado. O mandato, iniciado em 2019, vai até 2027.

Nascido no Rio de Janeiro em 1951, filho de imigrantes judeus poloneses, o senador iniciou sua trajetória política no movimento estudantil em 1969, durante o curso de engenharia civil na Pontifícia Universidade Católica do Rio de Janeiro (PUC-RJ). Perseguido pela ditadura militar no início dos anos 1970, deixou o Rio e chegou à Bahia em 1974.

No estado, trabalhou como técnico em manutenção no Polo Petroquímico de Camaçari e presidiu o Sindicato dos Trabalhadores da Indústria Petroquímica da Bahia (Sindiquímica-BA). Foi nesse período que estreitou sua relação com Lula, de quem é aliado há mais de 35 anos.

Wagner ajudou a fundar o PT e a Central Única dos Trabalhadores (CUT) na Bahia, exerceu três mandatos como deputado federal e dois como governador do estado. Atuou também como ministro nos governos de Lula e de Dilma Rousseff.

O senador teve papel central na eleição de Rui Costa (PT) ao governo baiano em 2014. Após a saída de Dilma Rousseff do cargo, retornou à Bahia para atuar no Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (Codes) e na Secretaria de Desenvolvimento Econômico do estado.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.