Trump mira eleição brasileira e relação com Lula esfria após G-7, tarifas e classificação de facções
Governo americano anunciou tarifas sobre produtos brasileiros e classificou CV e PCC como terroristas enquanto a Casa Branca monitora as eleições de outubro
Por Diário Local
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou na terça-feira (23) em sua rede social um artigo da emissora conservadora NewsMax que descreve o Brasil como o próximo "teste" no processo de "ressurgimento conservador" da América Latina. A publicação é mais um sinal de que a Casa Branca monitora de perto as eleições brasileiras previstas para outubro.
A relação entre Trump e o presidente Luiz Inácio Lula da Silva passou por reviravoltas recentes. O americano chegou a classificar o relacionamento entre os dois como de "excelente química", mas o tom mudou após o encontro do G-7. Sem que houvesse reunião formal bilateral durante a cúpula, Trump afirmou que "não pensa" e "não se importa" com Lula. Em outra declaração, classificou Lula como uma pessoa "muito volátil".
O cenário contrasta com o encontro anterior que os dois líderes tiveram na Casa Branca, ocasião em que discutiram temas como terras raras, crime organizado e comércio bilateral. Trump também elogiou Lula em reunião que manteve com Flávio Bolsonaro — o que indica que Washington dialoga com diferentes atores políticos brasileiros.
Tarifas e classificação de facções elevam tensão
Nas últimas semanas, o governo americano anunciou um novo tarifaço sobre produtos brasileiros. Lula disse ter sido pego de "surpresa" com as tarifas propostas e afirmou que enviaria uma nova carta a Trump em resposta. A ausência de um encontro formal bilateral na cúpula do G-7 deixou o tema sem encaminhamento direto entre os dois presidentes.
O governo dos Estados Unidos também classificou as facções Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas — medida que acrescenta nova dimensão às tensões diplomáticas entre os dois países.
Christopher Garman, diretor executivo das Américas na Eurasia Group — consultoria especializada em tendências geopolíticas, eleições e mudanças regulatórias no continente —, acompanha o impacto das ações da Casa Branca nos processos eleitorais da América Latina, incluindo as perspectivas de Lula e Flávio Bolsonaro até outubro.
Apesar da deterioração no tom da relação entre os dois presidentes, pesquisa da Quaest registrou que 43% dos brasileiros avaliaram que Lula saiu mais forte após o encontro com Trump — dado que indica como o relacionamento bilateral é percebido internamente pelo eleitorado.
