Justiça de SP marca júri popular de Marcola para maio de 2027 por crimes de 2006
Julgamento de líder do PCC referente aos ataques de maio de 2006 deve ocorrer em três dias em maio do ano que vem
Por Redação Diário Local
A Justiça de São Paulo marcou para os dias 11, 12 e 13 de maio de 2027 o júri popular de Marco Willians Herbas Camacho, conhecido como Marcola. O líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) é acusado pelo homicídio consumado e pela tentativa de homicídio de policiais militares em 12 de maio de 2006, em Jundiaí.
O julgamento deve ocorrer cerca de 21 anos após os episódios, que integraram as ofensivas conhecidas como Crimes de Maio. O Ministério Público de São Paulo apresentou a denúncia contra os crimes em 4 de setembro de 2006.
Histórico do processo judicial
Ao longo das últimas duas décadas, o processo passou por movimentações importantes. Em 2009, os acusados foram pronunciados e, em 2019, o caso foi transferido para julgamento em outra comarca devido a razões de segurança.
Em 2023, a defesa do acusado alegou que a própria Justiça de São Paulo reconheceu o excesso de prazo no julgamento desta ação penal. Atualmente, Marcola cumpre prisão decorrente de condenações em outros processos.
Argumentos da defesa
O advogado Bruno Ferullo, responsável pela defesa de Marco Willians, afirmou que o cronograma estabelecido para o ano que vem é incompatível com as garantias constitucionais. Segundo a defesa, o tempo decorrido compromete a garantia da razoável duração do processo, prevista na Constituição Federal.
A defesa argumenta que o intervalo prejudica a produção e a preservação de provas, afetando a memória de testemunhas e elementos probatórios. Marcola nega a autoria dos fatos e afirma confiar no Tribunal do Júri, amparado pela presunção de inocência.
Contexto dos ataques de 2006
Os crimes ocorreram durante uma ofensiva atribuída ao PCC que, segundo investigações, foi motivada por transferências de líderes para Presidente Venceslau e por casos de extorsão praticados por policiais civis. Na ocasião, houve ordem para rebeliões simultâneas em 74 presídios paulistas.
Nas ruas, o estado enfrentou ataques a bases, viaturas e delegacias, além de incêndios em ônibus e interrupção do transporte público. O saldo de violência de nove dias resultou em 564 mortos e 110 feridos.
