Lula faz 101 anúncios em 6 meses antes de período eleitoral vedado
De janeiro a junho, presidente divulgou compromissos em saúde, infraestrutura e educação; a partir de 4 de julho, governo não pode fazer inaugurações até o fim da campanha.
Por Diário Local
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva realizou 101 anúncios de obras e investimentos entre 1º de janeiro e 30 de junho de 2026. Os dados foram levantados a partir da E-Agenda presidencial. A partir deste sábado (4 de julho), o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) impõe restrições ao governo — Lula não pode mais participar de inaugurações, fazer anúncios ou realizar propagandas institucionais até o fim do período eleitoral, que se estende até 25 de outubro caso haja segundo turno.
A intensidade de eventos aumentou significativamente nos dois meses anteriores ao bloqueio. Em maio, o presidente participou de 26 anúncios. Em junho, o número subiu para 25. A aceleração refletiu a antecipação do período de defeso, quando o governo passa por restrições determinadas pela Justiça Eleitoral durante o período das eleições.
Questionado sobre a restrição em evento na quinta-feira (2 de julho), Lula comentou o período com tom crítico. "Só posso inaugurar obras até o dia 4 de julho. Mas eu posso visitar obras, mas sem falar nada. Papagaiada desgraçada", afirmou o presidente.
Saúde lidera prioridades
Saúde foi o setor mais enfatizado durante os seis meses, com 28 anúncios. Infraestrutura vem em seguida com 20, seguida por educação com 11. Segurança pública, apontada como um dos temas mais quentes para a campanha eleitoral, recebeu apenas 4 anúncios ao longo do período.
O presidente também dedicou atenção ao programa social Minha Casa, Minha Vida, participando de 6 cerimônias de entrega de unidades habitacionais. No dia 3 de julho, em cerimônia realizada no Palácio do Planalto, Lula realizou entregas simultâneas em 12 cidades distribuídas por 7 Estados, com anúncios nas áreas de saúde, educação e habitação.
Centro-Oeste e Sudeste na agenda
Apesar de seus eleitores mais fiéis estarem concentrados no Nordeste, Lula priorizou o Centro-Oeste e o Sudeste na escolha dos locais para eventos. Brasília recebeu o maior número de anúncios — 32 — por ser capital federal. São Paulo teve 18 eventos, consolidando-se como segunda preferência.
Entre os cinco Estados mais visitados, três ficam no Sudeste (São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro), um no Centro-Oeste (Distrito Federal) e um no Nordeste (Bahia). A região Norte ficou à margem da agenda presidencial: em 2026, Lula esteve lá apenas uma vez, em maio, quando visitou Manaus. Ao longo de todo o terceiro mandato, o presidente visitou a região Norte apenas quatro vezes — em agosto de 2023, setembro de 2024 e setembro de 2025.
Últimos eventos antes das restrições
Nos primeiros dias de julho, Lula ainda realizou uma rodada de eventos antes do início do período de defeso. Na Bahia, inaugurou o Hospital Estadual do Litoral Norte em Alagoinhas e participou da reabertura do Teatro Castro Alves em Salvador. Também visitou o canteiro de obras da Ponte Salvador-Ilha de Itaparica em Vera Cruz, que segue em construção.
No Rio Grande do Norte, o presidente esteve na inauguração do Túnel Major Sales, parte do projeto de transposição do Rio São Francisco para o Estado. No Ceará, entregou os Lotes 4 e 5 da Ferrovia Transnordestina em Quixeramobim, um projeto de infraestrutura de relevância regional.
Na sequência de eventos no Ceará, Lula também distribuiu ônibus escolares e unidades móveis de saúde em Juazeiro do Norte, reforçando o enfoque em educação e saúde que marcou sua agenda de primeiro semestre. Estes foram os últimos eventos de inauguração e anúncio antes das restrições legais entrarem em vigor.
