Lula critica forma de governar de Trump e afirma que não quer guerra tarifária com os EUA
Presidente brasileiro afirmou que Donald Trump age como imperador e avalia uso de lei de reciprocidade se não houver acordo.
Por Redação Diário Local
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, age como um "imperador" ao comentar a política de tarifas aplicada pelo republicano ao Brasil. Durante entrevista realizada na véspera da abertura da Assembleia Geral da Organização das Nações Unidas (ONU), marcada para esta terça-feira (22), Lula disse discordar do modelo de governança de Trump e reafirmou a intenção de negociar a sobretaxa sobre produtos brasileiros.
O chefe do Planalto declarou que não concorda com a forma de governar de Trump, descrevendo-a como baseada na "lei mais forte". Segundo o presidente, o governo brasileiro busca uma solução diplomática e não tem o objetivo de iniciar um conflito comercial com os EUA ou qualquer outra nação.
Lula ressaltou que o foco do Brasil é o diálogo e, caso as conversas não resultem em acordo, o governo avalia a aplicação da Lei de Reciprocidade. "Eu não quero entrar em uma guerra de tarifas com os EUA e nem com qualquer outro país. O que eu quero é negociar e acredito nas negociações", afirmou o presidente.
O impasse comercial envolve tarifas de 37,5% impostas pelos Estados Unidos sobre uma variedade de produtos brasileiros desde julho. A taxação foi estabelecida após investigações conduzidas pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que apontou práticas comerciais consideradas desleais pelo governo americano.
O presidente brasileiro contestou os fundamentos da medida e afirmou que as tarifas foram aplicadas com base em "mentiras". O governo brasileiro busca reverter o cenário que encarece as exportações nacionais para o mercado estadunidense.
As tentativas de resolução do conflito ganharam novo fôlego no último mês, após um contato telefônico entre Lula e Trump. Esse movimento permitiu a retomada das negociações entre os dois países para tratar da questão das sobretaxas.
Como parte da estratégia de negociação, uma delegação de autoridades brasileiras deve viajar aos Estados Unidos no final de setembro. O grupo terá o objetivo de dar andamento às conversas presenciais e tentar reverter a aplicação das taxas sobre os produtos do Brasil.
A movimentação ocorre em um momento de agenda intensa para o governo brasileiro em Nova York, onde se prepara para a abertura das reuniões da ONU nesta terça-feira (22).
