Lula diz a pastores que não faz política em igrejas por considerar espaços sagrados
Em encontro no Palácio do Planalto, presidente afirmou que prefere fazer comícios na rua e tratou de pautas como desigualdade e políticas para idosos.
Por Redação Diário Local
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (16), que não realiza comícios ou atos políticos dentro de igrejas por considerar os templos espaços dedicados à fé. A declaração foi feita durante encontro no Palácio do Planalto com pastores brasileiros e lideranças religiosas dos Estados Unidos e de Cuba.
“Se eu quiser fazer política e comício, eu faço na rua, mas na igreja eu não faço. Em nenhuma igreja”, declarou Lula. O presidente reforçou que a religião é um elemento sagrado e que cada indivíduo deve ter seu momento de paz para o diálogo com Deus.
O encontro faz parte de uma estratégia de aproximação com o segmento evangélico, grupo no qual o governo enfrenta resistência. Levantamento do PoderData/Aya, realizado entre 9 e 12 de agosto, indicou que 62% dos evangélicos desaprovam a gestão de Lula.
Durante a fala de cerca de 25 minutos, o presidente também abordou temas como desigualdade social e conflitos internacionais. Sobre as guerras na Rússia, na Ucrânia e no Oriente Médio, Lula defendeu que grandes potências direcionem recursos de armamentos para áreas como saúde, educação e alimentação. Ele informou que pretende defender essa posição na Assembleia Geral da ONU, em 23 de setembro.
Lula destacou ainda a intenção de criar, no próximo ano, uma política de cuidado para idosos, com foco em pessoas que vivem em isolamento social. A proposta busca criar oportunidades de convivência, lazer e atividades sociais para quem passa o dia sozinho em casa, contando com a atuação das igrejas nesse processo.
O advogado-geral da União, Jorge Messias, que também participou da reunião, defendeu que o púlpito não deve ser usado para disputas políticas ou ideológicas. Segundo Messias, a mensagem cristã deve ser pautada por valores como amor, compaixão e solidariedade, sem ser tratada como um embate de governo.
A reunião reuniu integrantes da Frente de Evangélicos pelo Estado de Direito, movimento que declarou apoio à reeleição do presidente em agosto. Entre os presentes estavam a primeira-dama Janja Lula da Silva, pastores brasileiros e convidados internacionais, como o reverendo Bronson L.A. Woods, da Igreja Batista Ebenezer, de Atlanta (EUA).
A aproximação com lideranças religiosas tem sido uma agenda recorrente do governo. Em meses anteriores, o presidente realizou reuniões com representantes de diferentes denominações e promoveu encontros para discutir temas como apostas on-line e a criação de comitês voltados ao segmento evangélico no país.
