Participação de mulheres em candidaturas está estagnada em 34% desde 2020, diz TSE
Dados do TSE mostram que o percentual de candidaturas femininas permanece concentrado em um terço do total desde as eleições de 2020.
Por Redação Diário Local
A participação de mulheres na disputa por cargos eletivos no Brasil permanece em torno de 34% desde 2020, de acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Nas eleições deste ano, das 20,5 mil candidaturas consideradas pelo tribunal para o cálculo da distribuição de recursos públicos, 7,1 mil são de mulheres, o que representa 34,85% do total.
O percentual tem se mantido estável nos últimos quatro pleitos. Em 2020, as mulheres representaram cerca de um terço das candidaturas; em 2022, o índice ficou na faixa de 34% e, em 2024, o patamar foi semelhante. A comparação engloba tanto eleições municipais quanto gerais.
Por que a participação feminina não cresce?
Embora a legislação eleitoral determine um mínimo de 30% de candidaturas de cada gênero em disputas proporcionais, especialistas avaliam que o percentual tem funcionado como um limite prático para os partidos. Flávia Biroli, professora da Universidade de Brasília (UnB), afirma que as legendas operam com os 30% como uma baliza, e não como um piso para ampliação.
A professora aponta que a competitividade das mulheres é influenciada pela distribuição de recursos financeiros e apoio partidário. Segundo a pesquisadora, mesmo quando o financiamento é destinado a mulheres, ele costuma ficar concentrado em poucas candidatas ou é aplicado em chapas majoritárias onde a mulher ocupa a vaga de vice, o que acaba favorecendo a candidatura masculina que encabeça a chapa.
A cientista política Marlise Matos, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), reforça que a dificuldade reside na atuação dos partidos. Ela destaca que, embora as mulheres representem 45% dos filiados aos partidos no Brasil, as listas tendem a priorizar candidaturas masculinas, mantendo homens como candidatos principais.
Aumento da violência política
Outro obstáculo relevante é o crescimento da violência política contra mulheres. O número de processos autuados na Justiça Eleitoral por violência de gênero subiu 380% em relação ao último ano eleitoral. Entre janeiro e agosto de 2026, foram registrados 149 processos, contra 31 no mesmo período de 2024, o maior volume desde o início da série histórica em 2019.
Durante ação realizada nesta terça-feira (22), a ministra Estela Aranha afirmou que esse tipo de intimidação contribui para afastar as mulheres do cenário político, especialmente no ambiente digital, onde os ataques podem ocorrer de forma coordenada, com maior velocidade e volume.
Como resposta, o TSE anunciou medidas para enfrentar o problema, como a criação de um novo painel de monitoramento nacional, capacitação de tribunais, fortalecimento de canais de denúncia e ações contra o uso de deepfakes e conteúdos falsos contra candidatas.
