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Política

Maioria dos eleitores prefere que investigações não interfiram em período eleitoral, aponta pesquisa

Levantamento do Instituto Ideia mostra que mais de 60% dos brasileiros não querem interferência de investigações no processo eleitoral.

Por Redação Diário Local

Mais de 60% dos eleitores brasileiros defendem que informações de investigações não devem ser divulgadas antes da conclusão dos procedimentos e rejeitam que vazamentos desse tipo ocorram durante o período eleitoral. O dado foi apresentado pela CEO do Instituto Ideia, Cila Schulman, nesta sexta-feira (11).

De acordo com o levantamento realizado pelo instituto, o resultado sinaliza um desinteresse do eleitorado em acompanhar os desdobramentos da crise institucional em Brasília. A percepção é de que o público prioriza questões que impactam diretamente a vida cotidiana e a economia das famílias em vez de focar em conflitos entre poderes.

Segundo a pesquisadora Cila Schulman, o cenário atual é distinto do que foi observado durante a Operação Lava Jato. Naquele período, a insatisfação com a corrupção serviu como motor de mobilização política e alimentou candidaturas antissistema, enquanto o momento atual é marcado pelo foco nas condições financeiras.

A análise aponta que o eleitor já experimentou gestões de diferentes campos políticos e chega ao processo eleitoral pressionado por problemas imediatos. Entre esses fatores, destacam-se o custo de vida e a situação financeira das famílias, que geram um sentimento de desalento em relação às opções disponíveis.

A crise institucional ocorre em um momento em que o Supremo Tribunal Federal (STF) passou ao centro da pauta política. Desdobramentos envolvendo ministros e decisões sobre o comando da Polícia Federal têm sido explorados tanto pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto pela de Flávio Bolsonaro (PL).

A analista de política da XP, Bárbara Baião, complementa que a turbulência política em Brasília funciona como um agravante. Para a especialista, o excesso de conflitos adiciona uma "névoa" sobre uma camada de irritação que já existe devido ao endividamento e à falta de melhora percebida na situação econômica pessoal.

O excesso de conflitos pode gerar consequências diretas para o processo de votação. Segundo o Instituto Ideia, há a possibilidade de um aumento na abstenção, além de um crescimento nos votos brancos e nulos, como reflexo do cansaço com o cenário político atual.

A pesquisadora lembrou que a abstenção histórica no Brasil gira em torno de 20% e costuma ser mais elevada entre eleitores com menor grau de escolaridade. Por esse motivo, um aumento na ausência nas urnas pode atingir as candidaturas de maneira desigual, dependendo de qual perfil demográfico deixar de participar do pleito.

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