Flávio Dino ordena que PF apure possível interferência estrangeira em eleições brasileiras
Ministro do STF determinou abertura de inquérito para apurar financiamento oculto e manipulação de algoritmos por agentes externos.
Por Redação Diário Local
O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal (PF) abra um inquérito para investigar uma possível interferência estrangeira no processo eleitoral brasileiro. A decisão, tomada nesta terça-feira (27), foca em suspeitas de financiamento oculto de campanhas e manipulação de conteúdos digitais por meio de perfis sediados no exterior.
A ordem ocorre após o ministro avaliar que as denúncias apresentadas — que incluem o uso de dados de plataformas de apostas e possíveis vantagens em troca de apoio político — devem tramitar em procedimentos próprios de investigação sob a supervisão do STF. Dino afirmou que os relatos reforçam preocupações levantadas anteriormente pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin) sobre o risco de atores externos interferirem no pleito.
Entre os fatos relatados na decisão, consta a suspeita de que os executivos Tallis Gomes e Pedro Sang teriam atuado em nome da empresa Rockbridge Network para angariar recursos para a campanha de Flávio Bolsonaro nos Estados Unidos. O ministro também tratou da veiculação remunerada de conteúdos sobre a eleição presidencial brasileira por perfis estrangeiros.
Segundo representação feita pelo candidato Renan Santos ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), há um padrão de postagens pagas, em português e voltadas ao público brasileiro, realizadas por perfis fora do país. Essas publicações utilizariam dados da plataforma de apostas Polymarket, que está bloqueada no Brasil desde 2024.
Suspeitas sobre plataformas e redes sociais
A decisão do ministro também menciona falhas na integridade eleitoral por parte da Meta, empresa controladora do Facebook, Instagram e WhatsApp. Dino citou um relatório da própria companhia, de nesta quinta-feira (22), que apontou problemas na garantia de segurança do processo.
O Supremo também considerou preocupações de observadores da Organização das Nações Unidas (ONU) sobre assimetrias no engajamento digital. Entre os pontos citados pela ONU estão interrupções em contas de campanha, diferenças no alcance de conteúdos e o uso de inteligência artificial para beneficiar candidaturas específicas nos resultados de busca e redes sociais.
Vínculo com exploração de minerais
Outra frente de investigação determinada pela PF será o possível vínculo entre o interesse econômico de agentes estrangeiros na exploração de terras raras e minerais críticos no Brasil e apoio eleitoral. A investigação deve apurar se a exploração mineral em território nacional foi ofertada como contrapartida para interferência no processo político.
O ministro enfatizou que os recursos minerais pertencem à União e sua exploração depende de autorização oficial. O inquérito deverá esclarecer a natureza das tratativas entre a Rockbridge Network e empresários brasileiros, além de identificar os responsáveis pelo pagamento de publicidade atribuída a perfis estrangeiros e as possíveis manipulações algorítmicas por empresas de internet.
