Nova composição do Congresso impõe desafios para reeleição de Hugo Motta e Davi Alcolumbre
Presidentes da Câmara e do Senado chegam à disputa de 2027 com bancadas mais à direita e maior desconfiança política
Por Redação Diário Local
Os atuais presidentes da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado Federal, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), enfrentam um cenário de maior dificuldade política para a disputa de reeleição em 2027. A nova composição do Congresso Nacional, após as eleições de 2026, apresenta uma bancada mais à direita e com maior desconfiança em relação à proximidade de ambos com o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
Para Hugo Motta, o pleito resultou em uma queda expressiva na votação e um revés familiar. O deputado paraibano foi reeleito, mas registrou 124.334 votos, uma redução de 21,4% em comparação aos 158.171 obtidos em 2022. Além disso, a estratégia de aproximar-se do presidente Lula para fortalecer a candidatura de seu pai, Nabor Wanderley, ao Senado, não surtiu o efeito esperado.
Nabor Wanderley terminou a disputa pelo Senado em terceiro lugar, com 20,91% dos votos, ficando atrás de João Azevêdo (PSB) e Veneziano (MDB) — este último com apoio do governo federal. Agora, Motta precisará negociar com uma Câmara mais conservadora para tentar manter o comando da Casa em 2027.
No caso de Davi Alcolumbre, o enfraquecimento político manifestou-se de forma territorial no Amapá. Seu aliado, o governador Clécio Luís (União Brasil), foi derrotado por Dr. Furlan (PSD). O grupo do novo governador também garantiu a eleição de Rayssa Furlan para o Senado e de Lucas Barreto para a outra vaga, ambos opositores de Alcolumbre.
Quais são os desafios para a reeleição em 2027?
O principal desafio para ambos os parlamentares é a necessidade de reconstruir pontes com uma bancada de direita maior e mais desconfiada de suas relações com o Planalto. Alcolumbre, especificamente, possui um adversário declarado na disputa pelo Senado: Rogério Marinho (PL-RN), atual líder da oposição.
A direita também tem direcionado críticas ao senador Alcolumbre pelo apoio a pautas como o fim da escala 6x1 e o fim da chamada "taxa das blusinhas". Além disso, setores do campo conservador questionam sua postura em relação ao Supremo Tribunal Federal (STF).
Apesar de ocuparem as presidências das Casas e dominarem os mecanismos de articulação política, a margem de manobra de Motta e Alcolumbre deve ser reduzida. O ônus de terem mantido alianças próximas com o governo Lula pode se tornar um ponto de resistência durante as negociações para o próximo biênio.
