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Saúde

Saúde do DF apresenta gargalos e aumento de reclamações para o próximo governo

Reclamações em unidades básicas cresceram 14,7% e tempo de espera em UPAs é alvo de alerta do Ministério Público.

Por Redação Diário Local

A saúde pública do Distrito Federal apresenta gargalos estruturais que devem ser prioridades para o próximo governo, que assume o Executivo local em janeiro de 2027. Dados da Ouvidoria do Governo do Distrito Federal (GDF) indicam um aumento nas insatisfações da população, especialmente no atendimento em Unidades Básicas de Saúde (UBS).

Entre janeiro e nesta sexta-feira (28), foram registradas 5.391 reclamações relacionadas às UBS, o que representa uma alta de 14,77% em comparação ao mesmo período do ano passado, quando o número de queixas foi de 4.697. Outro ponto de atenção é o tempo de espera por atendimento, que registrou crescimento de 60,35%, saltando de 169 para 271 registros no painel da Ouvidoria.

Essa tendência de demora coincide com informações divulgadas em julho pelo Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT). Segundo o órgão, em 12 das 13 Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) do DF, o tempo de espera por atendimento ultrapassa a média de 11 horas.

Por que a estrutura de saúde enfrenta sobrecarga?

A insuficiência de serviços de atenção primária é apontada como um dos fatores que sobrecarregam o sistema. A atenção primária é responsável por atender cerca de 90% das necessidades de saúde da população; quando o serviço é insuficiente, a rede hospitalar acaba recebendo demandas que deveriam ser resolvidas em unidades menores.

Essa falta de assistência básica também impacta a eficiência hospitalar. Com a demora no atendimento e tempos de internação elevados, o giro de leitos nos hospitais é prejudicado, dificultando a rotatividade necessária para o funcionamento da rede.

A saúde mental também é um ponto crítico. Especialistas indicam que o Distrito Federal possui uma das coberturas mais baixas de Centros de Atenção Psicossocial (CAPs). A falta de acompanhamento adequado para casos crônicos nas unidades de CAPs acaba gerando uma demanda maior por internações psiquiátricas, que deveriam ser reservadas apenas para casos de emergência e agudos.

O que dizem os usuários do sistema

Moradores de diferentes regiões do DF relatam dificuldades práticas no cotidiano. No Sol Nascente, pacientes apontam a necessidade de contratação de profissionais de diversas áreas para que as unidades construídas possam funcionar efetivamente. Relatos indicam que a espera por consultas e cirurgias urgentes pode levar meses, levando alguns usuários a buscarem a rede particular para agilizar exames.

Em Planaltina e Ceilândia, a percepção é de que a gestão de recursos e a capacitação dos servidores são pontos que demandam atenção. A falta de funcionários, tanto na área assistencial quanto na administrativa, é citada como um obstáculo para o atendimento eficiente.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.