Sudeste deve decidir eleição presidencial em 2026 com foco em palanques estaduais, dizem especialistas
Região concentra 41,8% do eleitorado e muito do peso político depende de governadores e prefeitos eleitos no 1º turno
Por Redação Diário Local
A região Sudeste deve desempenhar um papel decisivo na eleição presidencial de 2026, segundo análises de especialistas. O peso da região é impulsionado pelo tamanho de seu eleitorado, que concentra 66,3 milhões de eleitores, o equivalente a 41,8% do total brasileiro.
A cientista política Mayra Goulart, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), explica que o padrão eleitoral brasileiro costuma dividir as margens de votos: o Nordeste tende a favorecer o presidente Lula, enquanto o Sul, o Centro-Oeste e o Norte podem dar vantagem a Flávio Bolsonaro. Nesse cenário, o equilíbrio no Sudeste torna-se o fator definitivo.
Dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) reforçam a importância da área, já que os três maiores colégios eleitorais do país estão localizados na região. São Paulo possui 34,1 milhões de eleitores, seguido por Minas Gerais, com 16,3 milhões, e o Rio de Janeiro, com 12,8 milhões. O Espírito Santo completa o grupo com 2,9 milhões de eleitores.
Como os palanques estaduais influenciam o pleito?
A dinâmica de apoio de governadores e prefeitos eleitos no primeiro turno é vista como um elemento chave. No Rio de Janeiro, o prefeito Eduardo Paes apoia a reeleição de Lula. Segundo Mayra Goulart, caso Paes seja reeleito, a decisão de manter o estado como base de mobilização para o presidente será uma escolha política do prefeito.
Em São Paulo, a situação é inversa para o campo bolsonarista. O governador Tarcísio de Freitas é aliado de Flávio Bolsonaro. A professora de relações internacionais da ESPM, Denilde Holzhacker, destaca que o apoio de Tarcísio é essencial para garantir que o eleitor paulista, mobilizado na disputa pelo governo, continue engajado na campanha presidencial.
Para o grupo de Lula, a articulação em São Paulo também busca consolidar o voto de esquerda. A estratégia de ter Fernando Haddad como candidato ao governo paulista visa nacionalizar a disputa e mobilizar um segmento que historicamente enfrenta resistência na região. Em 2022, o petista conseguiu ampliar sua votação no estado entre o primeiro e o segundo turno, crescendo cerca de 1 milhão de votos.
O que dizem as pesquisas atuais?
De acordo com a pesquisa mais recente do Datafolha, divulgada nesta quinta-feira (17) (17) e registrada no TSE, Lula aparece com 39% das intenções de voto, enquanto Flávio Bolsonaro tem 36%. A diferença está dentro da margem de erro de dois pontos percentuais, configurando um empate técnico.
Caso a disputa avance para um segundo turno, os números apontam 46% das intenções de voto para Lula e 44% para Flávio Bolsonaro, também dentro da margem de erro. O primeiro turno das eleições está marcado para o dia 4 de outubro (04), e o segundo turno para 25 de outubro (25).
