Envelhecimento cardíaco altera estrutura e função do coração após os 60 anos, alerta médico
Processo biológico pode causar perda de elasticidade nas artérias e redução da frequência cardíaca máxima, segundo especialista.
Por Redação Diário Local
O coração passa por um processo de envelhecimento biológico natural que transforma sua estrutura e funcionalidade ao longo dos anos, segundo o cardiologista Fabrício da Silva. Embora as alterações comecem de forma discreta entre os 30 e 40 anos, o especialista explica que as mudanças costumam se tornar mais perceptíveis após os 60 anos.
Apesar do impacto do tempo, o médico reforça que o envelhecimento não significa necessariamente o surgimento de doenças. Ele destaca que é possível manter uma excelente função cardíaca na terceira idade por meio do controle de fatores de risco fundamentais.
Entre os fatores que precisam de atenção para evitar o agravamento do quadro estão a hipertensão (pressão alta), o diabetes, o colesterol elevado, o sedentarismo e o tabagismo. Segundo o cardiologista, o ritmo desse processo depende diretamente da genética e, principalmente, do estilo de vida adotado.
Uma pessoa que mantém hábitos nocivos, como fumar e ser sedentária, pode apresentar um coração biologicamente mais velho aos 50 anos do que um indivíduo ativo e saudável de 70 anos. O médico ressalta que o estilo de vida tem peso determinante na longevidade do órgão.
Como o coração envelhece?
O envelhecimento do sistema cardiovascular envolve diversos parâmetros técnicos. Um dos principais é a redução progressiva da frequência cardíaca máxima, que pode diminuir cerca de 0,7 a 1 batimento por minuto a cada ano, reduzindo a capacidade de resposta a exercícios intensos.
Outro indicador é a queda no VO₂ máximo, que representa a capacidade do organismo de utilizar oxigênio durante o esforço. Em pessoas sedentárias, esse declínio pode ser de 5% a 10% por década após os 30 anos, enquanto em indivíduos ativos a perda é significativamente menor.
A saúde dos ventrículos também é afetada pelo tempo. A capacidade de relaxamento do ventrículo esquerdo, conhecida como função diastólica, tende a diminuir com o envelhecimento, embora um coração saudável em repouso possa funcionar bem tanto em idosos quanto em jovens.
Estruturalmente, o músculo cardíaco sofre um aumento de tecido fibroso, processo chamado de fibrose, que torna o músculo menos flexível. Além disso, as artérias tendem a perder a elasticidade e a se tornar mais rígidas, o que eleva a pressão arterial sistólica.
Nas válvulas cardíacas, podem surgir depósitos de cálcio que as tornam mais rígidas, aumentando o risco de estenose, especialmente na válvula aórtica. No sistema elétrico, a perda gradual de células de condução favorece o surgimento de arritmias, como a fibrilação atrial.
Como preservar a saúde cardíaca?
Embora o envelhecimento biológico não possa ser revertido, a perda funcional pode ser retardada com mudanças hábitos. A principal recomendação do cardiologista é a prática regular de exercícios físicos, combinando atividades aeróbicas com musculação.
O médico afirma que mesmo quem inicia atividades físicas após os 60 anos consegue melhorar a capacidade cardiovascular de forma significativa. O movimento constante é uma das intervenções com maior evidência científica para o cuidado do coração.
A alimentação também é um pilar indispensável para o controle do sistema cardiovascular. Uma dieta rica em vegetais, frutas, grãos integrais e gorduras saudáveis ajuda a manter os níveis de colesterol sob controle.
O autocuidado deve incluir ainda a qualidade do sono e o abandono de hábitos nocivos, como o consumo de bebidas alcoólicas e o cigarro. O acompanhamento médico regular é essencial para monitorar a evolução da saúde e prevenir complicações relacionadas à idade.
