Laqueaduras superam vasectomias no SUS de Campinas após mudança na lei de planejamento familiar
Número de esterilizações femininas ultrapassou procedimentos masculinos em 2024 e 2025 após nova legislação federal.
Por Redação Diário Local
O número de laqueaduras realizadas pelo Sistema Único de Saúde (SUS) em Campinas (SP) passou a ser maior do que o de vasectomias nos últimos dois anos. Segundo dados da Secretaria Municipal de Saúde, os procedimentos femininos superaram os masculinos em 2024 e 2025, invertendo o histórico do município.
Em 2024, foram registradas 826 laqueaduras contra 677 vasectomias. A tendência se manteve em 2025, com 693 laqueaduras e 469 vasectomias realizadas na cidade.
A mudança nos números ocorre após a implementação da nova Lei do Planejamento Familiar, que entrou em vigor em março de 2023. A legislação reduziu a idade mínima para a esterilização voluntária de 25 para 21 anos e eliminou a exigência de autorização do cônjuge para a realização da cirurgia.
Como era o cenário antes da nova lei?
Antes da alteração legislativa, as vasectomias eram o procedimento mais comum em Campinas. Em 2020, o município registrou 220 cirurgias masculinas e 119 laqueaduras. Em 2021, foram 193 vasectomias para 99 laqueaduras.
O ano de 2022 também apresentou maior volume de cirurgias masculinas, com 714 vasectomias contra 226 laqueaduras. Em 2023, primeiro ano após a mudança na lei, as vasectomias atingiram o maior número da série histórica, com 829 procedimentos, enquanto as laqueaduras somaram 574.
A partir de 2024, o protagonismo passou para os procedimentos femininos, que apresentaram um crescimento expressivo. Entre 2022 e 2024, o número de laqueaduras praticamente quadruplicou, saltando de 226 para 826.
Qual é o perfil de quem busca os procedimentos?
O grupo de homens que realizou vasectomia no período analisado concentra-se, majoritariamente, na faixa etária entre 30 e 39 anos, totalizando 1.645 procedimentos. A segunda faixa mais frequente é a de 40 a 49 anos, com 996 casos.
Nas laqueaduras, o perfil é semelhante: a maioria das pacientes tem entre 30 e 39 anos, com 1.507 procedimentos. A faixa de 21 a 29 anos aparece em segundo lugar, com 876 cirurgias, seguida pelas mulheres entre 40 e 49 anos, com 263 casos.
Como funciona o acesso pelo SUS em Campinas?
As cirurgias de esterilização voluntária integram o Protocolo Municipal de Planejamento Familiar e são oferecidas gratuitamente. O processo começa no centro de saúde de referência, onde o paciente é encaminhado para o Grupo Educativo de Planejamento Familiar.
Nesse grupo, são apresentados os métodos contraceptivos reversíveis, os riscos da cirurgia e as dificuldades de reversão. Caso a decisão seja mantida, é agendada uma consulta médica e solicitados os exames pré-operatórios.
A partir da assinatura da declaração de consentimento informado, inicia-se o prazo legal mínimo de 60 dias até a realização da cirurgia. Esse período é destinado ao aconselhamento por equipe multidisciplinar, sendo permitido desistir do procedimento a qualquer momento.
