Treze cidades de Mato Grosso do Sul não possuem hospital para realização de partos
Falta de estrutura hospitalar em municípios sul-mato-grossenses obriga gestantes a percorrerem longas distâncias em ambulâncias.
Por Redação Diário Local
Treze dos 79 municípios de Mato Grosso do Sul não possuem hospital ou unidade hospitalar que realize ou assista partos, conforme informações da Secretaria Estadual de Saúde (SES). A falta de estrutura obriga gestantes a percorrerem longas distâncias em busca de atendimento especializado.
O cenário de carência na rede de assistência é evidenciado pelo caso de Kethelyn Souza, de 22 anos, que precisou percorrer 141 km de ambulância, de Camapuã até Campo Grande, para dar à luz dois bebês. Os recém-nascidos estão em recuperação na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian (HU Brasil), na capital.
A logística de deslocamento é um dos principais desafios para as mulheres que residem em cidades sem suporte. Em Rio Verde de Mato Grosso, por exemplo, uma gestante precisou ser transferida de ambulância por 253 km até Campo Grande para realizar um procedimento de cesárea.
Quais cidades não têm assistência ao parto?
De acordo com a SES, as cidades de Mato Grosso do Sul que não contam com hospital ou unidade hospitalar para assistência ao parto são: Dois Irmãos do Buriti, Nioaque, Bandeirantes, Corguinho, Jaraguari, Rochedo, Terenos, Ladário, Douradina, Taquarussu, Paraíso das Águas, Paranhos e Batayporã.
Nos municípios sem estrutura, a assistência é organizada de forma regionalizada. As gestantes são encaminhadas para serviços de referência conforme a necessidade de saúde e os fluxos estabelecidos pela rede estadual.
O que é a Rede Alyne?
Para tentar reduzir as desigualdades na assistência, a Secretaria Estadual de Saúde elaborou o Plano de Ação Regional (PAR) da Rede Alyne. A estratégia, lançada pelo governo federal em setembro de 2024, visa reestruturar a antiga Rede Cegonha e ampliar o cuidado materno-infantil.
Entre as melhorias aprovadas pelo Ministério da Saúde estão a criação de Ambulatórios Especializados para Gestação e Puerpério de Alto Risco (AGPAR) em Campo Grande, Dourados, Jardim e Três Lagoas. Além disso, haverá novos ambulatórios para recém-nascidos e crianças em Aquidauana, Jardim, Campo Grande, Dourados, Ponta Porã e Três Lagoas.
A Rede Alyne também prevê a implantação de Centros de Parto Normal em Sidrolândia, Dourados e Três Lagoas, com foco no incentivo ao parto humanizado. O programa busca metas de redução da mortalidade materna, incluindo um objetivo de diminuir em 25% a mortalidade de mulheres negras até 2027.
