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Saúde

Cerca de 70% das pessoas usam o sexo para aliviar o tédio, aponta revisão de estudos

Revisão de 19 estudos indica que o sexo é usado como mecanismo de regulação emocional para combater a monotonia e o ócio.

Por Redação Diário Local

Cerca de 70% das pessoas utilizam o sexo como uma forma de aliviar o tédio e a monotonia, segundo uma revisão de 19 estudos publicada no The Journal of Sexual Medicine. A análise indica que o comportamento funciona como um mecanismo de regulação emocional para lidar com o ócio e a falta de ocupação.

O uso da atividade sexual para combater o desânimo causado pela monotonia é frequentemente subestimado. De acordo com o pesquisador Justin Lehmiller, o fenômeno não carrega a gravidade de um trauma ou o estigma de um vício, sendo muitas vezes visto apenas como algo natural do cotidiano.

A ciência busca compreender os fatores que precedem o Transtorno do Comportamento Sexual Compulsivo (TCSC), condição que é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) desde 2022. Estudos indicam que o comportamento é multifatorial e ligado a estados psicológicos específicos.

Segundo dados publicados na National Library of Medicine, o tédio está entre os estados emocionais mais associados ao transtorno, ao lado de fatores como solidão, ansiedade e depressão. Para os especialistas, esse uso do sexo funciona como uma válvula de escape emocional.

A dinâmica de busca pelo sexo para aliviar o tédio assemelha-se a outros mecanismos de regulação, como o consumo excessivo de álcool ou a compulsão alimentar noturna. Nesses casos, a atividade serve para preencher lacunas deixadas pela falta de ocupação.

O ciclo do tédio sexual

A pesquisa também revela um aspecto inverso: uma vida sexual excessivamente repetitiva pode ser a própria causa da sensação de tédio. De acordo com um estudo do American Journal of Science and Education Research, a monotonia dentro do relacionamento está associada à redução do desejo e da satisfação com o parceiro.

Essa constatação, apontada por Lehmiller, traz desafios para o tratamento de comportamentos sexuais. O pesquisador explica que a conexão entre rotina e tédio dificulta o sucesso de abordagens terapêuticas que foquem exclusivamente em questões de moral ou em medidas de autocontrole.

Dessa forma, as manifestações consideradas desvios sexuais podem, em muitos casos, ser apenas um reflexo de questões estruturais da rotina e da falta de atividades que ocupem o indivíduo, e não necessariamente um problema de caráter ou vício clínico.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.