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Tecnologia

Empresas chinesas investem R$ 76 bilhões para desenvolver 'cérebro' de robôs com IA

Setor de inteligência artificial incorporada captou cinco vezes mais recursos no primeiro semestre de 2026 para tornar máquinas autônomas.

Por Redação Diário Local

Empresas chinesas estão direcionando grandes volumes de capital para o desenvolvimento de inteligência artificial (IA) aplicada à robótica. O foco agora é criar o "cérebro" das máquinas, permitindo que elas aprendam tarefas e se adaptem a novos ambientes sem depender de programação manual para cada função específica.

No primeiro semestre de 2026, o setor de inteligência artificial incorporada captou 93,5 bilhões de yuans (aproximadamente R$ 76,4 bilhões) em 322 negócios na China. O montante representa um crescimento de cinco vezes em comparação ao mesmo período do ano anterior, de acordo com a empresa de pesquisa ITjuzi.

A mudança de estratégia ocorre porque a redução nos preços do hardware está diminuindo as margens de lucro dos fabricantes. Com isso, o valor comercial passa a residir na inteligência do software, e não apenas na construção física do robô.

Como funciona o treinamento da IA para robôs?

Diferente dos modelos de linguagem (chatbots), que aprendem com textos da internet, os robôs exigem exemplos de interações físicas, como manipular objetos ou fios. Para coletar esses dados, as empresas utilizam três abordagens principais: demonstrações humanas, simulações por computador ou uma combinação de ambas.

A Spirit AI, por exemplo, contratou cerca de 1.000 pessoas para registrar atividades cotidianas e industriais. Já a Robbyant, unidade de robótica do Ant Group, afirmou ter treinado um modelo com 160 mil horas de material, incluindo 50 mil horas de movimentos guiados por humanos.

Outra estratégia é o uso de ambientes virtuais. A DexForce utiliza simulações geradas por computador para preparar tarefas industriais, relatando taxas de sucesso acima de 99,9% em operações de precisão. Entretanto, especialistas apontam que as simulações nem sempre reproduzem perfeitamente as interações do mundo físico.

A disputa com os Estados Unidos

O avanço da inteligência robótica abre uma nova frente de rivalidade tecnológica entre China e Estados Unidos. Startups americanas, como a Physical Intelligence e a Skild AI, buscam ensinar habilidades a robôs sem necessidade de treinamento extenso, enquanto empresas chinesas tentam usar sua escala de produção para desafiar o mercado.

A X Square, empresa chinesa, demonstrou em pesquisa que seus robôs conseguem adquirir habilidades de manipulação apenas assistindo a um único vídeo de um ser humano. O objetivo é que as máquinas deixem de ser guiadas puramente por códigos e passem a operar com base no que os desenvolvedores chamam de "bom senso".

Apesar do ritmo de investimento, o setor enfrenta obstáculos. A escassez de chips avançados, provocada por controles de exportação dos Estados Unidos, é um dos principais desafios para o desenvolvimento de modelos de IA cada vez mais poderosos na China.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.