Governo dos EUA investiga rota de contrabando de chips da Nvidia para a China
Investigação foca na transportadora Apex Logistics por suposto envolvimento no envio ilegal de semicondutores de inteligência artificial.
Por Redação Diário Local
O governo dos Estados Unidos investiga a Apex Logistics, empresa de logística sediada em Cingapura, por suspeita de participação no contrabando de chips de inteligência artificial (IA) da Nvidia para a China. A apuração busca identificar se a transportadora envolveu-se no comércio ilegal de semicondutores, o que pode resultar na primeira ação contra uma transportadora por suposto envolvimento no setor.
As autoridades apuram se a Apex, que é uma unidade da gigante de transporte Kuehne+Nagel, transportou sistemas de IA fabricados pela Super Micro Computer em violação às restrições de exportação impostas pelo governo americano. Desde 2022, Washington restringiu a venda de hardware avançado para a China para evitar o fortalecimento das capacidades militares de Pequim.
Segundo pessoas familiarizadas com o caso, o Escritório de Indústria e Segurança (BIS), do Departamento de Comércio dos EUA, é o órgão responsável pela investigação. Embora o BIS não tenha comentado o caso, a quantidade de equipamentos desviados é considerada crucial para avaliar o impacto na segurança nacional, já que milhares de servidores podem ampliar significativamente a capacidade tecnológica chinesa.
Como funcionava a rota sob suspeita?
De acordo com fontes informadas, as rotas investigadas envolviam servidores equipados com chips da Nvidia saindo de Taiwan com destino aos Estados Unidos. Posteriormente, os equipamentos seguiriam para países do Sudeste Asiático antes de chegarem a Hong Kong. A partir de Hong Kong, os produtos teriam sido levados por terra para a China continental.
Uma fonte informou que o governo americano investiga 47 embarques realizados pela Apex em 2024. Em casos de contrabando de chips, promotores já identificaram remessas contendo entre 50 e 60 servidores cada. Há suspeitas de que dois ex-funcionários da Apex tenham utilizado códigos específicos para classificar os produtos como não sujeitos aos controles de exportação dos EUA.
A utilização de documentação falsa, como classificar hardware restrito como equipamentos eletrônicos genéricos, é uma prática comum em esquemas de contrabando. A investigação destaca a avaliação das autoridades de que diferentes elos da cadeia logística podem estar envolvidos em operações para burlar os controles americanos.
Posicionamento das empresas envolvidas
Em comunicado, a Apex afirmou estar ciente do interesse das autoridades sobre um número reduzido de embarques realizados em 2024, que podem ter envolvido materiais enviados para destinos proibidos. A empresa declarou que está cooperando integralmente com a investigação e mantém o compromisso com o cumprimento das regulamentações.
A controladora suíça Kuehne+Nagel confirmou a cooperação da subsidiária, mas afirmou que a própria companhia não foi contatada pelas autoridades. Após a notícia, as ações da Kuehne+Nagel chegaram a cair 4,2% na Europa, registrando a maior queda intradiária em mais de três meses.
A Nvidia declarou que vende seus produtos para parceiros conhecidos e trabalha para garantir a conformidade com as regras de exportação, afirmando que processos de diligência ajudam a identificar tentativas de burlar os controles. Já a Super Micro Computer não comentou sobre as remessas e, segundo informações, não mantém relação comercial direta com a Apex, que atua em nome de clientes que compram os servidores.
