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Tecnologia

China desenvolve ferramentas de edição genética com auxílio de IA para evitar disputa de patentes nos EUA

Pesquisadores chineses utilizam inteligência artificial para criar enzimas de edição de DNA e evitar conflitos legais sobre a tecnologia CRISPR-Cas9.

Por Redação Diário Local

Cientistas chineses estão desenvolvendo ferramentas próprias de edição genética com o auxílio de inteligência artificial para evitar os custos e os conflitos jurídicos de patentes nos Estados Unidos. O uso de novas proteínas, como a CasY7, busca oferecer uma alternativa à tecnologia CRISPR-Cas9, que é alvo de uma disputa judicial de longa data entre instituições americanas.

Em laboratórios localizados em Changzhou, pesquisadores da startup de agrotecnologia Wimi Biotechnology Co. Ltd. utilizam a proteína CasY7 para realizar cortes em trechos específicos do DNA de plantas, como o milho. A ferramenta é uma alternativa à enzima Cas9, cujas patentes estão envolvidas em um embate entre o Broad Institute de Harvard e o MIT, que pode gerar bilhões de dólares em licenciamentos.

Por que a China busca autonomia genética?

A busca por tecnologias independentes é uma resposta ao risco comercial de utilizar a tecnologia Cas9 sem o devido licenciamento. Para empresas que pretendem comercializar culturas modificadas, a dependência de patentes estrangeiras representa um obstáculo iminente.

Pelo menos três empresas do setor na China — Shandong Shunfeng Biotechnology Co. Ltd., Beijing Qi Biodesign Biotechnology Co. Ltd. e a própria Wimi Biotech — já desenvolveram enzimas de edição próprias. A Shandong Shunfeng, por exemplo, já licencia suas variantes proteicas para empresas de sementes nos Estados Unidos, Alemanha, Brasil e Índia.

A Wimi Biotech utiliza a inteligência artificial para transformar proteínas de baixa eficiência em ferramentas de alto desempenho. Lu Yuming, cofundador da empresa, explicou que a IA permitiu evoluir a atividade enzimática de forma acelerada, alcançando níveis de precisão que superam as expectativas iniciais para proteínas da família Cas12.

O papel da inteligência artificial no processo

O processo de descoberta envolveu a análise de mais de 1 milhão de proteínas candidatas a partir de dados de sequenciamento metagenômico. A equipe utilizou a evolução de proteínas assistida por IA para aprimorar um candidato quase funcional até atingir níveis de eficiência de 87,7% no milho e 82,9% no arroz.

Segundo Lu Yuming, o design de enzimas impulsionado pela tecnologia digital é uma oportunidade para superar o domínio de gigantes globais do setor de sementes, que detêm vastos dados de melhoramento genético. A meta agora é usar a IA para projetar sequências de DNA completamente novas, partindo do zero.

Essa ambição está alinhada ao plano quinquenal de agricultura da China, divulgado em junho de 2026. O documento oficial pede o desenvolvimento de novas ferramentas de edição genética, sinalizando que o foco do país é a produção de tecnologia biotecnológica essencial e não apenas o melhoramento de culturas.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.