Huawei propõe construção de centros de inteligência artificial no Egito e gera reação dos EUA
Empresa chinesa oferta chips avançados ao governo egípcio, levando Departamento de Estado americano a buscar consórcio com Nvidia e Microsoft
Por Redação Diário Local
A Huawei apresentou uma proposta ao governo do Egito para construir centros de dados de inteligência artificial (IA). A oferta inclui a exportação de 1.408 chips da série Ascend 950 para treinamento de modelos, além de 600 unidades da mesma série ou do modelo 910B para clusters de inferência.
O plano apresentado pela empresa chinesa prevê um cronograma de 12 meses para a implementação da infraestrutura. Caso o projeto avance, a Huawei consolidaria sua presença como fornecedora de tecnologia para a segunda maior economia da África, ganhando posição estratégica no Oriente Médio.
Reação dos Estados Unidos
A proposta despertou a atenção do Departamento de Estado americano. Autoridades dos Estados Unidos buscaram empresas como Nvidia, AMD e Microsoft para a formação de um consórcio capaz de oferecer uma alternativa competitiva à oferta da Huawei.
O governo americano alertou que o uso de certos aceleradores da Huawei sem a devida aprovação pode resultar em penalidades legais. Desde 2023, remessas de chips de IA para o Egito dependem de autorização de Washington, o que permite ao governo dos EUA exercer controle sobre o licenciamento de exportação.
Um porta-voz do Departamento de Estado afirmou que os Estados Unidos mantêm conversas com diversos países sobre a liderança tecnológica em IA e estão prontos para parcerias que respeitem a soberania nacional e ampliem as capacidades locais.
Detalhes da oferta tecnológica
A proposta da Huawei envolve uma parceria com a iFlytek, empresa chinesa que também integra a lista de restrições dos Estados Unidos desde 2019. Entre as soluções apresentadas estão sistemas de reconhecimento de veículos e indivíduos baseados em bancos de dados populacionais nacionais.
Embora a quantidade de 2.008 chips seja considerada pequena em comparação aos grandes centros de treinamento ocidentais, a venda serviria como uma validação comercial para a Huawei. A empresa tem enfrentado restrições americanas para produzir volumes elevados de semicondutores de alta tecnologia.
O processo de licitação no Egito marca um ponto de disputa direta entre Estados Unidos e China por projetos governamentais de infraestrutura de IA. O desdobramento do caso deve demonstrar a capacidade de navegação do país entre os dois ecossistemas tecnológicos rivais.
