Inovação

Uso de ferramentas de IA sem método compromete resultados de gestores, aponta análise

Pesquisa indica que a maioria das empresas que adotaram inteligência artificial generativa não percebeu impacto no lucro.

Por Redação Diário Local

A falta de um método estruturado para o uso de inteligência artificial (IA) tem impedido que gestores alcancem resultados consistentes de produtividade. O desafio central das empresas não é a escolha da plataforma, mas a ausência de processos definidos para aplicar a tecnologia de forma estratégica.

O cenário observado no mercado é de uma adoção sucessiva de ferramentas sem benefícios imediatos. Gestores implementam soluções como ChatGPT, Copilot, Gemini e Claude, mas migram rapidamente para outras opções quando a produtividade permanece estagnada. Essa movimentação constante reflete uma busca por resultados rápidos que ignora a necessidade de construção de métodos próprios.

Dados de mercado reforçam a dificuldade de converter o uso de IA em ganhos financeiros reais. Uma pesquisa da consultoria McKinsey, realizada em 2025, indica que mais de 80% das empresas que adotaram a inteligência artificial generativa não perceberam impacto tangível no EBITDA (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização).

A percepção de utilidade da tecnologia também apresenta sinais de alerta. Um estudo do ManpowerGroup, que consultou quase 14 mil trabalhadores em 19 países, apontou que o uso regular de IA cresceu 13% em 2025. No entanto, a confiança na efetividade dessas ferramentas caiu 18% no mesmo período, evidenciando uma lacuna entre o uso e a confiança nos resultados.

A importância da estratégia sobre a automação

Especialistas argumentam que a tecnologia deve servir para potencializar análises, preservando a clareza estratégica humana. Em publicação de abril de 2026, o autor Philip Kotler introduziu o conceito de "mind-centric marketing", que propõe que o foco deve ser o entendimento de como as pessoas pensam e tomam decisões, em vez de apenas otimizar processos por algoritmos.

Segundo essa abordagem, embora os algoritmos possam entregar a mensagem certa no momento adequado, a decisão sobre qual marca será lembrada ainda depende de fatores humanos. A IA pode auxiliar na análise de dados, mas a reflexão estratégica que ocorre antes do uso da tecnologia permanece essencial para o sucesso das marcas.

Na rotina de gestão, a aplicação da IA com método permite que o profissional se concentre em decisões mais qualificadas. Por outro lado, quando a ferramenta é utilizada apenas como um atalho para evitar o esforço de planejamento, ela acaba ocupando o espaço que deveria ser destinado ao pensamento estratégico.

A diferença entre o uso eficaz e a experimentação tecnológica reside na definição de métricas e processos. Enquanto uma parte do mercado busca a troca constante de plataformas, uma minoria foca em estruturar métodos que utilizem a inteligência artificial para ampliar a capacidade de pensamento já existente.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.