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Tecnologia

Software de IA identifica genes de vírus que infectam bactérias com 98% de precisão

Ferramenta Pelican, desenvolvida pela USP, apresentou desempenho superior a outros programas e pode impulsionar tratamentos como a fagoterapia.

Por Redação Diário Local

Pesquisadores desenvolveram um programa baseado em inteligência artificial para localizar genes de bacteriófagos, vírus que infectam bactérias. A ferramenta, batizada de Pelican, alcançou uma taxa média de acerto de 98% na identificação de genes em amostras de genomas virais já conhecidos pela ciência.

O trabalho foi conduzido no Centro de Pesquisa em Biologia de Bactérias e Bacteriófagos (Cepid B3), um dos centros de pesquisa e inovação apoiados pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp). O software apresentou desempenho superior ao de outros programas de bioinformática avaliados nos testes.

Como funciona o Pelican?

Para realizar a identificação, o Pelican combina as predições de quatro ferramentas de bioinformática distintas. O sistema opera da seguinte forma: quando pelo menos três dessas ferramentas apontam para a mesma região do DNA, o programa aceita a predição como correta.

Caso os resultados dessas ferramentas divirjam, o software utiliza métodos estatísticos, comparações com bancos de dados biológicos e modelos de aprendizado de máquina para avaliar quais regiões têm maior probabilidade de conter genes reais. O sistema também é capaz de analisar casos em que os genes preditos se sobrepõem.

Fernando Pacheco Nobre Rossi, principal desenvolvedor da ferramenta, explicou que a maioria dos programas atuais foi criada para analisar bactérias, mas os genomas de fagos possuem peculiaridades que exigem identificações de regiões ligeiramente diferentes.

Aplicações na medicina e saúde

Os bacteriófagos, conhecidos como fagos, possuem aplicações promissoras na medicina, biotecnologia e agricultura. Na área da saúde, uma das frentes de maior interesse é a fagoterapia, que utiliza esses agentes para neutralizar bactérias causadoras de infecções.

Essa estratégia ganha relevância global devido ao aumento da resistência bacteriana ao uso de antibióticos comuns. Embora a anotação genômica não comprove sozinha a segurança de um tratamento, ela fornece dados essenciais para entender o comportamento do microrganismo e selecionar candidatos para estudos contra agentes infecciosos.

A pesquisa foi coordenada pelo professor João Carlos Setubal no Instituto de Química da Universidade de São Paulo (IQ-USP). Segundo o pesquisador, o trabalho integra um projeto mais amplo voltado à produção de ferramentas inovadoras para análise de genomas de fagos.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.