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Tecnologia

Ex-funcionários processam Meta por uso de IA em demissões em massa nos EUA

Ação judicial alega que sistemas de inteligência artificial da Meta discriminaram trabalhadores com deficiência ou em licença médica.

Por Davy Albuquerque

Ex-funcionários da Meta entraram com uma ação judicial no tribunal federal de Oakland, na Califórnia, questionando o uso de inteligência artificial (IA) para definir demissões em massa. O grupo de 26 ex-empregados alega que os sistemas de IA da companhia teriam discriminado, de forma desproporcional, pessoas com deficiência ou que estavam em licença médica.

Os autores da ação, que representam trabalhadores de seis estados americanos e do Distrito de Colúmbia, foram notificados em maio de que seus cargos seriam eliminados a partir de 22 de julho. O grupo busca uma medida liminar para impedir que a Meta conclua o processo de demissões enquanto o mérito da questão é discutido em arbitragem privada.

A medida judicial ocorre em meio a um plano de reestruturação anunciado pela empresa em maio, que prevê o corte de cerca de 10% de sua força de trabalho — o que equivale a aproximadamente 8 mil demissões. O objetivo da companhia é otimizar a eficiência operacional com o uso de tecnologias de IA e agentes autônomos.

Como funcionariam os sistemas de monitoramento?

De acordo com a denúncia, a Meta utilizou um conjunto de ferramentas internas para pontuar e ranquear funcionários em uma lista de demissão. Entre os sistemas citados no processo estão um assistente baseado em modelos de linguagem (LLM) e uma ferramenta treinada para rastrear comunicações e documentos de cada empregado.

A acusação detalha que a empresa utilizou um índice de produtividade construído a partir da varredura de teclas digitadas, conteúdo de tela, e-mails e histórico de navegação. Segundo o processo, o uso de métricas como o consumo de tokens de IA para decidir quem seria dispensado acabou prejudicando quem se ausentou para cuidar da família ou por problemas de saúde.

A ação sustenta que a companhia violou leis federais e estaduais que proíbem a discriminação contra trabalhadores com deficiência, gestantes ou em licença médica. Os autores alegam ainda que os sistemas de IA não foram testados contra vieses, o que descumpre legislações recentemente aprovadas na Califórnia e em Nova York.

Resposta da companhia

A Meta refutou as acusações por meio de um porta-voz, classificando as alegações como sem mérito. A empresa defende que as decisões de gestão de pessoas e as decisões organizacionais são tomadas por seres humanos, e não por sistemas de inteligência artificial.

A reestruturação na empresa de Menlo Park segue em andamento, com investimentos bilionários em IA. Fontes ligadas à companhia indicam que novas rodadas de demissões podem ocorrer ainda este ano, mantendo a tecnologia como ponto central da operação interna e de seus produtos.

Revisado por Davy Albuquerque, editor responsável.