Comissão Europeia acusa Meta de usar recursos viciantes no Instagram e no Facebook
Comissão Europeia exige mudanças no autoplay e na rolagem infinita das redes sociais sob risco de multa de até 6% do faturamento global.
Por Diário Local
A Comissão Europeia concluiu que a Meta violou as regras de tecnologia da União Europeia (UE) ao implementar designs considerados "viciantes" no Instagram e no Facebook. A acusação formal, apresentada nesta sexta-feira (10), exige mudanças em recursos como a reprodução automática de vídeos e a rolagem infinita.
A decisão é resultado de uma investigação que durou dois anos, baseada na Lei de Serviços Digitais da UE. O regulador afirma que a empresa não avaliou adequadamente os riscos de dependência causados por recomendações personalizadas e funcionalidades que estimulam o uso prolongado das plataformas.
Segundo o órgão regulador, formatos como os reels e stories podem contribuir para um comportamento de uso excessivo ou compulsivo. A Comissão apontou que as ferramentas de gestão de tempo atuais são facilmente ignoradas pelos usuários.
O relatório também criticou a eficácia dos controles parentais. De acordo com a avaliação, essas ferramentas exigem tempo, esforço e conhecimento técnico consideráveis para funcionarem de maneira eficiente na proteção de menores.
Mudanças exigidas e possíveis multas
Entre as alterações solicitadas pela Comissão Europeia estão a desativação, por padrão, do autoplay e da rolagem infinita. O regulador também exige a introdução de pausas efetivas no tempo de tela e a redução do foco dos sistemas de recomendação no estímulo ao engajamento constante.
A Meta ainda pode apresentar sua defesa antes que a Comissão emita uma decisão final, prevista para os próximos meses. Caso a empresa seja considerada em descumprimento das regras, ela poderá enfrentar multas de até 6% de seu faturamento anual global.
Posicionamento da empresa
O porta-voz da Meta, Ben Walters, contestou as conclusões preliminares da investigação. Ele afirmou que a companhia discorda da análise e que o regulador não considerou as medidas tomadas para proteger o público adolescente.
A empresa destacou que, desde o início da apuração, lançou as "Contas Teen" para oferecer proteção automática. Segundo a companhia, essas contas permitem que os pais controlem o acesso, possibilitando o bloqueio do Instagram durante a noite e a limitação do tempo de uso diário a 15 minutos.
