PF aponta que ex-diretor do FNDE negociava emendas para presidente do PL
Investigação da Polícia Federal indica que advogado era responsável por negociar valores e áreas de destino de emendas parlamentares.
Por Diário Local
A Polícia Federal (PF) identificou o advogado Garigham Amarante como o principal interlocutor de Valdemar Costa Neto, presidente do Partido Liberal (PL), em negociações sobre a destinação de emendas parlamentares. Garigham, que foi diretor do Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE) durante o governo de Jair Bolsonaro, é apontado pelos investigadores como o responsável por operacionalizar as diretrizes de Valdemar nas tratativas de verbas.
De acordo com a investigação, o advogado ocupava um cargo de natureza especial na liderança do PL na Câmara dos Deputados. Sua função nos bastidores consistia em levar e trazer as orientações do presidente do partido, além de negociar tanto os valores quanto as áreas de aplicação das emendas.
O papel de Garigham incluía também o repasse de determinações a servidores da Câmara dos Deputados para viabilizar as indicações de recursos. Essas informações surgiram após a análise de um celular de Mariângela Fialek, ex-assessora de Arthur Lira, aparelho que foi apreendido durante a Operação Transparência, realizada em dezembro do ano passado.
O nome do advogado aparece no contexto de uma decisão do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), que determinou o bloqueio de R$ 119 milhões de Valdemar Costa Neto. O bloqueio ocorre em meio a uma investigação sobre um suposto esquema envolvendo a distribuição de emendas parlamentares.
Como eram feitas as tratativas de valores?
A Polícia Federal reproduziu mensagens de texto que detalham a dinâmica das conversas. Em um dos registros, o advogado informa que agendou uma reunião com Valdemar e, já no dia seguinte, trata da destinação de aproximadamente R$ 24 milhões para a área de Turismo.
Nas mensagens analisadas, Garigham questiona se o valor definido pelo presidente do PL havia sido fechado. Ele chega a afirmar que o montante de "24 milhões tá bom" e, na sequência, encaminha uma lista com nomes de municípios e CNPJs.
Segundo os investigadores, essa lista enviada pelo advogado estaria diretamente relacionada às indicações de recursos atribuídas ao presidente da legenda. O conteúdo das mensagens reforça a tese de atuação coordenada nos bastidores da distribuição das verbas.
Sinais de riqueza e patrimônio
A investigação também levanta pontos sobre o padrão de vida do advogado. Relatos apontam que, em 2022, Garigham teria adquirido veículos com valores que não condiziam com sua remuneração mensal da época, estimada em pouco mais de R$ 10 mil.
Em agosto de 2021, o advogado financiou um SUV Mercedes-Benz GLB 200 Progressive, avaliado em R$ 330 mil. Na mesma época, outro diretor do FNDE, Gabriel Vilar, adquiriu um veículo de R$ 250 mil.
O levantamento sobre os bens foi baseado em informações que mostram gastos incompatíveis com os salários recebidos pelos gestores do órgão durante o período em que ocupavam o cargo.
Procurado para comentar as informações sobre sua atuação e sobre a investigação conduzida pela Polícia Federal, o advogado Garigham Amarante afirmou que não irá se manifestar.
