Observatório do Pico dos Dias é o maior complexo astronômico em operação no Brasil
Localizado entre Brazópolis e Piranguçu, em Minas Gerais, o complexo estuda desde galáxias até lixo espacial.
Por Redação Diário Local
O Observatório do Pico dos Dias (OPD), situado na Serra da Mantiqueira, é o maior complexo astronômico em operação no Brasil. Instalado a 1.864 metros de altitude, entre os municípios de Brazópolis e Piranguçu, em Minas Gerais, o centro monitora fenômenos que vão de estrelas e galáxias a asteroides, cometas e lixo espacial.
A localização estratégica é fundamental para a precisão das pesquisas. Por estar em uma altitude elevada, o observatório fica acima de grande parte das camadas de poeira, poluição e do ar mais denso, o que garante um céu mais limpo e estável para a captação de imagens do Universo.
Além das condições naturais, a proximidade com grandes centros de pesquisa, como São Paulo, Rio de Janeiro e Belo Horizonte, favorece o desenvolvimento das atividades científicas no local.
Como funcionam os telescópios?
Diferente do que se imagina, a rotina de um astrônomo não consiste apenas em observar o céu pelas lentes. Atualmente, a maior parte do trabalho é realizada por meio de equipamentos científicos e computadores, que processam a luz captada pelos telescópios e a transformam em dados brutos.
O principal instrumento do complexo é o telescópio Perkin-Elmer, que possui um espelho de 1,6 metro de diâmetro e é considerado o maior telescópio óptico em operação no país. O observatório também conta com os telescópios Boller & Chivens, Zeiss e ROBO43.
A coleta de dados segue um rito rigoroso: antes do anoitecer, as equipes realizam calibrações, verificações meteorológicas e ajustes nos equipamentos para que os telescópios operem durante a madrugada.
O que o observatório estuda?
Os equipamentos são utilizados para o estudo de diversos objetos celestes, incluindo exoplanetas — planetas que orbitam outras estrelas além do Sol. Uma das técnicas utilizadas é o trânsito planetário, que identifica planetas ao observar a pequena redução de brilho de uma estrela quando o corpo passa à sua frente.
Além da astronomia tradicional, o complexo também monitora objetos artificiais, como fragmentos de satélites desativados que permanecem em órbita da Terra.
A cada semestre, entre 20 e 25 projetos científicos utilizam a estrutura do observatório, integrando equipes de universidades brasileiras e colaboradores internacionais.
Descobertas no Sistema Solar
O histórico de mais de quatro décadas do OPD inclui contribuições importantes para o conhecimento do Sistema Solar. Em 2013, o observatório participou de pesquisas que ajudaram a identificar a presença de anéis no pequeno corpo Chariklo, localizado entre as órbitas de Saturno e Urano.
Posteriormente, o complexo também teve papel fundamental na confirmação de três anéis e de um disco de material ao redor do objeto celeste Quíron.
