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Tecnologia

Empresas de inteligência artificial compram grandes lotes de livros usados para treinamento

Livreiros relatam pedidos massivos de livros usados por empresas de IA, que utilizam o material para digitalização em larga escala

Por Redação Diário Local

Livreiros de livros usados ao redor do mundo têm relatado um aumento incomum na venda de grandes lotes de obras para empresas de inteligência artificial (IA). O movimento tem despertado debates sobre a preservação de exemplares raros e o método de treinamento de tecnologias de linguagem.

Stuart Manley, de uma livraria em Northumberland, na Inglaterra, relatou que um único pedido recente de uma empresa canadense igualou o volume de vendas que ele costumava movimentar em sete dias. O comerciante afirma que, em 30 anos de atuação, nunca viu um padrão de compra semelhante.

A suspeita de que as compras visam o treinamento de modelos de IA ganha força devido à diversidade dos temas adquiridos, que vão desde romances de faroeste até textos obscuros em latim. Especialistas apontam que a busca por conteúdos menos comuns ajuda a aprimorar os sistemas de inteligência artificial generativa.

Como ocorre o treinamento com livros?

A prática ganhou contornos jurídicos após uma decisão judicial nos Estados Unidos. Em 2025, um juiz determinou que o uso de livros para treinar softwares de IA não violava a lei de direitos autorais americana, classificando o uso como "extremamente transformador".

Documentos judiciais de um processo envolvendo a empresa Anthropic indicaram a existência de projetos voltados para a digitalização de obras. Internamente, um desses projetos teria sido chamado de "Projeto Panamá", com o objetivo de digitalizar livros em larga escala.

Um dos métodos citados é a chamada "digitalização destrutiva". Nesse processo, os livros são processados de forma que as lombadas sejam removidas para permitir a leitura rápida de todas as páginas por scanners industriais, sendo o material físico reciclado posteriormente.

Preocupações com obras raras

O fenômeno gera um dilema ético para os comerciantes de sebos. Por um lado, a venda de títulos que estavam sem comercialização há anos impulsiona o negócio; por outro, há o risco de perda de patrimônio histórico.

Derek Walker, proprietário de uma livraria em Edimburgo, na Escócia, destacou que, embora a venda de títulos comuns seja positiva, a destruição de edições únicas, como exemplares do século 18, representa um problema grave para a preservação bibliográfica.

No Reino Unido, a legislação sobre direitos autorais possui regras diferentes das dos Estados Unidos. A professora Emily Hudson, especialista da Universidade de Oxford, explica que, no país, qualquer ato de cópia para criação de bibliotecas de treinamento exige a permissão expressa do titular dos direitos autorais.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.