Técnica da Nasa permite revelar pinturas antigas em fotos de satélite que antes passavam despercebidas
Método de descorrelação DStretch intensifica contrastes e permite identificar detalhes em obras desbotadas de cavernas e templos
Por Redação Diário Local
Uma técnica de processamento de imagens desenvolvida pela Nasa permite revelar estruturas e artes antigas em fotos que antes passavam despercebidas. O método utiliza a descorrelação para intensificar os contrastes em arquivos digitais, facilitando a identificação de detalhes em superfícies desbotadas pelo tempo.
A agência espacial divulgou, nesta terça-feira (8), um comparativo de "antes e depois" que demonstra o funcionamento do sistema. Um dos exemplos apresentados envolve registros da Caverna de San Borjitas, na Baja California, no México, onde a tecnologia permitiu visualizar elementos anteriormente invisíveis.
A ferramenta é conhecida como DStretch e foi adaptada para o estudo de imagens históricas e arqueológicas. O método foi inicialmente observado em imagens da superfície de Marte, utilizadas pela agência espacial para análise de terreno.
O profissional Jon Harman, entusiasta de arte rupestre, adaptou o algoritmo para ser utilizado em um plug-in do ImageJ, programa de código aberto desenvolvido pelos Institutos Nacionais de Saúde. Harman aplicou sua experiência prévia com imagens médicas para converter a lógica da Nasa em uma ferramenta acessível para pesquisadores.
Descobertas em templos e cavernas
A eficácia do DStretch já foi comprovada em casos de grande relevância histórica, como no antigo templo de Angkor Wat, no Camboja. Pinturas que retratam cavaleiros e um conjunto musical tradicional permaneceram ocultas para milhares de visitantes devido ao estado de desgaste das obras.
Essas pinturas foram descobertas entre 2010 e 2012 por um arqueólogo que utilizou um método derivado do Laboratório de Propulsão a Jato da Nasa, no sul da Califórnia. Naquela oportunidade, cerca de 200 outras pinturas espalhadas pelo complexo também foram localizadas.
Segundo Harman, o uso da técnica tem gerado uma demanda constante no setor de pesquisa. Atualmente, ele atende cerca de 200 solicitações de processamento por meio do DStretch todos os anos.
A aplicação do algoritmo busca dar visibilidade a pigmentos que sofreram erosão, unindo a tecnologia de exploração espacial ao campo da arqueologia para preservar e estudar o patrimônio cultural mundial.
