Reserva Kaetés oferece safári na Mata Atlântica com avistamento de animais raros no Espírito Santo
Unidade de conservação no Espírito Santo oferece experiência de safári e abriga espécies como o sagui-da-serra claro e a saíra-apunhalada.
Por Redação Diário Local
A Reserva Kaetés, localizada nas montanhas do Espírito Santo, oferece passeios de safári pela Mata Atlântica que permitem o avistamento de espécies animais raras e exclusivas da região. A unidade de conservação funciona como uma Reserva Particular do Patrimônio Natural (RPPN) e é mantida pelo Instituto Marcos Daniel.
O local destaca-se por abrigar a saíra-apunhalada, única espécie de ave que ocorre exclusivamente em território capixaba, sem registros em outros estados ou países. Para garantir a preservação do animal, o instituto coordena o Programa de Conservação da Saíra-Apunhalada (PCSA).
A reserva também serve de refúgio para o sagui-da-serra claro, um dos primatas mais ameaçados do planeta. O médico veterinário Marcelo Renan, coordenador da Reserva Kaetés, estima que restem menos de 2 mil indivíduos dessa espécie na natureza, sendo que a unidade abriga cerca de 40 animais divididos em cinco famílias.
Por que a reserva é estratégica para a biodiversidade?
A conservação da área protege uma população de saguis geneticamente pura, o que torna o local um refúgio estratégico para futuras reintroduções da espécie. Além dos primatas, o ecossistema concentra o peixe bagrinho-de-caetés, encontrado apenas em córregos locais, e a planta Philodendron spiritus-sancti, que está ameaçada de extinção.
Outros registros na área incluem o sapinho pingo-de-ouro, a preguiça-de-coleira e a palmeira-juçara. Sobre o manejo da palmeira, a reserva adota um modelo conservacionista, onde é colhida apenas a polpa do fruto para que parte do recurso permaneça disponível para a alimentação da fauna.
Como funciona o turismo científico no local?
O passeio "Do Chão às Copas" utiliza uma torre de observação de 37 metros de altura, considerada a maior da Mata Atlântica, para oferecer visão de 360 graus sobre a floresta. A estrutura facilita a localização de aves, como a saíra-apunhalada, por meio do monitoramento de seus cantos.
No modelo de turismo científico adotado, os visitantes acompanham pesquisadores e auxiliam no monitoramento da fauna local. Segundo o Instituto Marcos Daniel, cerca de 25% dos registros da saíra-apunhalada ocorrem durante as visitas guiadas.
A unidade de conservação é totalmente privada e não recebe recursos públicos para sua manutenção. Todo o valor arrecadado com a visitação é integralmente revertido para as atividades de proteção da natureza e conservação da floresta.
