Agricultores dos EUA mudam rotina de colheita para enfrentar ondas de calor extremo
Produtores de frutas e hortaliças adaptam horários de trabalho e protegem mudas para evitar perdas causadas por eventos climáticos.
Por Diário Local
Ondas de calor intensas e prolongadas estão forçando agricultores dos Estados Unidos a alterar rotinas de plantio e colheita para evitar a perda de safras. O aumento da frequência de eventos climáticos extremos, como o sistema de alta pressão conhecido como "cúpula de calor" (heat dome), tem reduzido as janelas de trabalho e ameaçado a produção de frutas e hortaliças.
Para lidar com as altas temperaturas, produtores têm buscado adaptar o manejo das lavouras. Em algumas propriedades, o trabalho é realizado apenas durante os períodos mais frescos, como o início da manhã e o final da tarde, com pausas frequentes para hidratação. Em outros casos, a colheita de produtos perecíveis, como as framboesas, precisa ser acelerada para evitar que o calor comprometa a qualidade ou a integridade do alimento.
Além de mudar o horário, métodos de proteção física das plantas têm sido aplicados. Isso inclui o uso de tendas para criar áreas de sombra no campo e o armazenamento de mudas em ambientes controlados, como armários dentro de celeiros ou estufas equipadas com ventiladores, para garantir que as plantas sobrevivam antes do transplante definitivo.
Como os produtores estão se adaptando?
A adaptação varia conforme o tipo de cultura e o tamanho da propriedade. Enquanto grandes fazendas de commodities costumam utilizar máquinas, pequenos produtores de hortaliças muitas vezes dependem de trabalho manual e estratégias de sombra improvisadas para proteger tanto as plantas quanto os trabalhadores.
Em pomares de frutas, a estratégia tem sido o uso de infraestrutura para reduzir o impacto térmico, como a instalação de ar-condicionado em prédios de apoio e a expansão de áreas com árvores e pavilhões para oferecer sombra. O teste de estufas especiais também tem sido uma alternativa para manter condições mais estáveis para certas culturas.
A diversidade de culturas também surge como uma ferramenta de resiliência. Ao cultivar uma ampla variedade de produtos, os agricultores buscam garantir que, caso uma espécie seja afetada pelo calor, outras possam prosperar, minimizando o prejuízo financeiro total da temporada.
Quais são os riscos para o seguro agrícola?
Apesar das adaptações, produtores de frutas e hortaliças enfrentam uma vulnerabilidade maior em comparação aos produtores de grandes commodities, como milho e soja. O sistema de seguro agrícola nos Estados Unidos é estruturado prioritariamente para proteger lavouras de safra única, o que dificulta o acesso de pequenos agricultores que manejam múltiplos produtos em áreas reduzidas.
A burocracia para segurar diversas culturas e a falta de incentivo das seguradoras para oferecer apólices com prêmios baixos para esses pequenos produtores são gargalos importantes. Embora existam programas federais que cubram a receita total da propriedade, o uso dessas modalidades ainda é considerado complexo por especialistas.
O cenário exige uma mudança na forma de mitigar riscos. Para muitos, modelos de agricultura com apoio direto da comunidade ajudam a oferecer maior flexibilidade financeira, permitindo que o apoio ao produtor ajude a sustentar a operação mesmo quando eventos climáticos causam perdas parciais nas colheitas.
