Estudo da Embrapa comprova características únicas de arroz produzido em Porto Marinho
Pesquisa da Embrapa utiliza análises científicas para apoiar pedido de selo de origem para o cereal produzido no Rio de Janeiro
Por Redação Diário Local
Pesquisas realizadas pela Embrapa Agroindústria de Alimentos apresentaram evidências científicas que apoiam o pedido de Indicação Geográfica (IG) para o Arroz Anã de Porto Marinho. O objetivo é obter o selo de Denominação de Origem (DO) junto ao Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI).
O pedido de registro foi protocolado em 8 de agosto pela Apomar (Associação de Produtores Rurais, Pescadores, Artesãos, Moradores e Amigos de Porto Marinho e Entorno). As análises buscam comprovar a relação entre as propriedades do cereal e o território de Porto Marinho, distrito de Cantagalo, no noroeste do Rio de Janeiro.
O trabalho envolveu levantamentos físicos, nutricionais e metabolômicos, além da caracterização da qualidade tecnológica e culinária do produto produzido por agricultores familiares da região.
O que diferencia o sabor do arroz?
Ensaios conduzidos pela Embrapa mostraram que o Arroz Anã apresenta um perfil de viscosidade semelhante ao arroz utilizado na culinária japonesa, caracterizado pela pegajosidade após o cozimento. Além disso, o cereal demonstrou uma intensificação aromática durante o aquecimento, similar à observada em arrozes do tipo jasmim.
Segundo a coordenadora do projeto, Cristina Yoshie Takeiti, o produto reúne atributos valorizados internacionalmente em arrozes especiais, possuindo identidade própria e sendo cultivado em pequena escala.
A pesquisa utilizou a metabolômica, uma área que investiga compostos químicos naturais, para identificar padrões específicos do arroz de Porto Marinho. As análises por espectrometria de massas permitiram construir uma "assinatura química" que liga o aroma e o sabor às condições de cultivo e ao meio geográfico.
Resistência e cultivo
A caracterização morfoagronômica, realizada na safra 2020/21, revelou que o Arroz Anã possui características de uma planta de tipo "moderno". Mesmo sendo uma variedade de porte alto, com média de 123,2 cm, a planta apresenta colmos estruturados e boa tolerância ao acamamento (quando a planta tomba devido ao vento ou chuva).
Essa característica corrobora o relato de agricultores locais sobre a resistência da variedade aos ventos fortes das margens do rio Paraíba do Sul. Além disso, o porte de planta favorece o processo de colheita manual.
O material foi incorporado ao Banco Ativo de Germoplasma (BAG Arroz) da Embrapa Arroz e Feijão, onde recebeu registro oficial como recurso genético conservado.
