Cientistas buscam espécies raras para salvar cultura do café da extinção por aquecimento
Pesquisa busca redescobrir plantas resistentes ao calor e à seca para garantir a produção global de café diante das mudanças climáticas.
Por Redação Diário Local
Pesquisadores buscam redescobrir espécies de café raras para combater o risco de extinção da cultura causado pelo aquecimento global. O foco é encontrar plantas com maior resistência a temperaturas elevadas e períodos de seca, garantindo a sobrevivência do setor diante das mudanças climáticas.
Atualmente, a produção mundial é dominada pelas espécies Coffea arabica (arábica) e Coffea canefora (robusta). Ambas demandam água e sofrem com o calor excessivo, o que já resultou em quedas de oferta em regiões como o Vietnã, onde a produção de robusta caiu 20% em 2023.
Estudiosos da temática climática apontam que o planeta pode perder cerca de metade das áreas atualmente apropriadas para o cultivo do café. Além disso, estima-se que 60% das espécies classificadas como selvagens também estejam sendo dizimadas.
Por que a busca por novas espécies é necessária?
A estratégia consiste em encontrar as chamadas "lost coffee species" (espécies de café perdidas). O objetivo é utilizar plantas que sobrevivam com menos água e mais calor para repovoar áreas que hoje são ocupadas pelas espécies tradicionais.
Um exemplo relevante é a espécie stenophylla, encontrada em florestas de Serra Leoa, na costa oeste da África. A planta foi comercialmente cultivada até o início do século XX e foi redescoberta em 2018. Por apresentar características de resistência e sabor superior, a espécie já despertou o interesse de grandes torrefadoras e de empresas como a Starbucks.
Atualmente, projetos piloto são desenvolvidos em Serra Leoa para testar combinações híbridas que busquem equilibrar produtividade, manejo e resiliência climática.
Quais os próximos passos para o setor?
Especialistas reforçam que nenhuma espécie isolada será capaz de salvar a cafeicultura. A resposta para o desafio estrutural deve vir da combinação entre biodiversidade, genética, melhoramento vegetal e adaptação dos sistemas de produção.
Para produtores de café, como os do Espírito Santo, o cenário serve de alerta para a necessidade de intensificar estudos e pesquisas de resiliência climática, especialmente considerando os efeitos de fenômenos como o El Niño.
