Árvore nativa bordão-de-velho melhora fertilidade e estoca mais carbono em pastagens
Estudo da Embrapa e USP mostra que a espécie nativa aumenta a biodiversidade do solo e a fixação de nitrogênio em sistemas de integração.
Por Redação Diário Local
A utilização da árvore nativa bordão-de-velho (Samanea tubulosa) em sistemas que integram pastagens e florestas melhora a qualidade biológica do solo e aumenta o estoque de carbono. A descoberta é fruto de uma pesquisa da Embrapa e do Centro de Energia Nuclear na Agricultura da Universidade de São Paulo (USP/Cena).
O estudo, que faz parte de uma tese de doutorado, aponta que a espécie — uma leguminosa da América Tropical — apresenta vantagens para o pecuarista por ser capaz de fixar nitrogênio no solo, oferecer sombra ao gado e produzir frutos apreciados pelos animais.
A análise comparativa, realizada no campo experimental da Embrapa Rondônia, avaliou o desempenho do bordão-de-velho em relação ao eucalipto. Os resultados mostraram que a área com a espécie nativa apresentou maior fertilidade, com presença de matéria orgânica mais expressiva e menor acidez.
Como a árvore influencia o solo?
A pesquisa identificou que o bordão-de-velho possui uma ampla capacidade de modulação da microbiota (comunidade de microrganismos). O efeito de influência da árvore foi detectado em uma área de até cinco metros de distância do tronco, em diferentes profundidades.
Diferente do que foi observado com o eucalipto, o solo sob o bordão-de-velho apresentou maior diversidade de bactérias e arqueias. O perfil desses microrganismos está associado a processos de fixação de nitrogênio e à decomposição de compostos, o que indica potencial para degradar moléculas tóxicas.
A capacidade de atrair microrganismos favoráveis ao seu desenvolvimento é uma característica da espécie. Isso ocorre porque o bordão-de-velho recruta grupos específicos de bactérias que auxiliam na ciclagem de nutrientes e no desenvolvimento da planta.
Qual o impacto no estoque de carbono?
O sistema que utiliza o bordão-de-velho obteve o maior Índice de Manejo de Carbono (CMI) entre os arranjos analisados. O índice registrado foi de 91,13, o que significa que o solo preservou a maior parte do carbono em comparação a uma floresta nativa de referência.
O estudo também observou que os sistemas silvipastoris têm potencial para sequestrar carbono. Em termos de volume, foram registrados 95 t/ha no sistema com bordão-de-velho e 107 t/ha no sistema com eucalipto, ambos apresentando estoques de carbono estatisticamente semelhantes aos da floresta nativa após ajustes de compactação.
A espécie Samanea tubulosa é encontrada em diversas regiões do Brasil e possui ampla adaptabilidade. Além do uso em pastagens, a árvore pode ser aplicada em sistemas agroflorestais, usos paisagísticos e na produção de madeira.
