Empresários do agronegócio reúnem-se com presidente da Bolívia para discutir rodovia de integração
Comitiva liderada por Erai Maggi discute projetos de estrada que ligará Mato Grosso ao departamento de Santa Cruz na Bolívia.
Por Redação Diário Local
Uma comitiva de empresários do agronegócio brasileiro se reúne nesta sexta-feira (31) com o presidente da Bolívia, Rodrigo Paz Pereira, para negociar a integração logística entre os dois países. O foco central da reunião é o avanço dos estudos para a construção de uma rodovia que conectará o departamento boliviano de Santa Cruz a Vila Bela da Santíssima Trindade, em Mato Grosso.
O grupo de empresários é liderado por Erai Maggi e busca acelerar os projetos da rodovia que liga San Ignacio de Velasco, na Bolívia, a Marfil, na fronteira brasileira. Atualmente, o trecho de 129 km situado em território boliviano é composto por estrada de terra e possui circulação limitada em determinados períodos do ano.
No lado brasileiro, o governo de Mato Grosso já iniciou a pavimentação de 80 km da rodovia MT-199, que conduz até a divisa com o país vizinho. A estimativa é que as obras no trecho brasileiro sejam concluídas em 2027, o que aumenta a pressão dos produtores para que o governo boliviano também dê andamento ao seu lado do corredor.
A comitiva brasileira utiliza mais de 20 aeronaves privadas para chegar a San Ignacio de Velasco. A chegada exigiu uma operação internacional especial no aeroporto local, que foi inaugurado em 2018 e ainda não opera com voos regulares.
Como funciona a logística proposta?
Com a conclusão da ligação rodoviária, os produtos da região de Chiquitania, na Bolívia, poderão percorrer cerca de 1.300 km até Porto Velho, em Rondônia. Na capital rondoniense, a carga seria transferida para barcaças com capacidade de até 60 mil toneladas.
O transporte seguiria pelos rios Madeira e Amazonas até terminais em Itacoatiara, Santarém e Barcarena. Esse trajeto integra o sistema conhecido como Arco Norte, que é responsável pela movimentação de mais de 50 milhões de toneladas de soja e milho todos os anos.
Qual o impacto econômico do projeto?
O projeto interessa diretamente aos produtores de Santa Cruz, departamento boliviano que responde por 97% da produção de soja e aproximadamente metade do milho do país. A economia da região representa 30,2% do PIB boliviano, somando US$ 14,3 bilhões.
A reunião ocorre durante as celebrações de 278 anos de fundação de San Ignacio de Velasco e é organizada pelo Comitê de Integração Brasil–Bolívia. Além dos empresários, o encontro deve contar com a presença de ministros bolivianos e representantes de governos regionais e municipais.
