Estresse térmico pode reduzir produção de leite e fertilidade no Rio Grande do Sul
Palestra em seminário alerta que calor excessivo reduz taxa de prenhez e causa perda de até 3,9 kg de leite por vaca diariamente.
Por Redação Diário Local
O estresse térmico no rebanho leiteiro representa um desafio crescente para a atividade no Rio Grande do Sul, com impactos severos na fertilidade e na produção de leite dos animais. O alerta foi apresentado durante o 4º Seminário de Bovinocultura de Leite, realizado nesta quarta-feira (28), em Boa Vista das Missões.
Segundo a médica veterinária e pesquisadora Adriana Tarouco, do Departamento de Diagnóstico e Pesquisa Agropecuária (DDPA) da Secretaria da Agricultura, Pecuária, Produção Sustentável e Irrigação (Seapi), o calor afeta diretamente a reprodução. A taxa de prenhez das vacas pode sofrer uma queda brusca, passando de uma média de 40% a 60% para apenas 10% a 20% durante os períodos quentes.
Além do prejuízo reprodutivo, há uma perda quantitativa na produção diária. Quando o Índice de Conforto Térmico (ITU) situa-se entre 80 e 89, a estimativa é de uma redução de 3,9 quilos de leite por vaca, por dia.
Riscos por região e estação do ano
Os dados técnicos indicam que o verão é a estação de maior exposição, com uma média de 41% das horas apresentando estresse de nível leve a moderado. Nas regiões do Baixo Vale do Uruguai, Vale do Uruguai e Missioneira, o ITU máximo registrado chegou a 87,0.
O comportamento do risco térmico também apresentou variações temporais. Entre os anos de 2022 e 2024, o tempo de estresse aumentou durante o outono e a primavera. Já no inverno de 2026, o risco de calor foi considerado baixo nas dez regiões avaliadas, sendo recomendada a proteção contra o frio.
Recomendações de manejo e hidratação
Para mitigar os efeitos do calor, especialistas recomendam o uso de sombra, ventilação e sistemas de resfriamento, além de concentrar a alimentação em horários de temperaturas mais baixas. A oferta de água deve ser rigorosa, entre 50 e 60 litros por unidade animal diariamente.
O monitoramento do rebanho deve ser constante, unindo a observação direta à utilização de índices técnicos, como a ferramenta BovConfort, que calcula o ITU. A atenção deve ser redobrada para novilhas e vacas secas.
O seminário, promovido pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural do Rio Grande do Sul (Senar-RS) e pelo Sistema Farsul, também abordou temas como gestão, mercado de leite e sucessão familiar. Durante o evento, produtores das regiões do Planalto Médio e Alto e Médio do Vale do Uruguai apresentaram casos de sucesso em eficiência produtiva e lucratividade.
