Manejo de solo e semeadura escalonada podem reduzir impactos do El Niño na soja
Práticas como formação de palhada, semeadura em nível e uso de diferentes ciclos de cultivares ajudam a mitigar excessos ou faltas de chuva
Por Redação Diário Local
A ocorrência do fenômeno El Niño durante a safra 2026/2027 deve exigir atenção redobrada dos produtores de soja, com riscos distintos entre as regiões brasileiras. Enquanto o Sul poderá enfrentar excesso de chuvas e maior erosão do solo, o Norte e o Nordeste podem enfrentar redução e irregularidade das precipitações.
Pesquisadores da Embrapa apontam que práticas de manejo adotadas desde o planejamento podem reduzir esses impactos. Entre as estratégias recomendadas estão o respeito aos períodos de semeadura indicados pelo Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), a formação de palhada para proteção do solo, o escalonamento da semeadura e o uso de cultivares com diferentes ciclos.
Como minimizar os riscos climáticos?
O impacto do fenômeno sobre a produção agrícola depende da intensidade, do volume e da distribuição da chuva, além do manejo adotado em cada propriedade. Mesmo com o risco climático, o produtor pode se precaver adotando práticas que diminuam os efeitos do fenômeno desde o planejamento da safra.
Nas regiões Norte e Nordeste, as culturas de verão estão sujeitas ao risco de falta de água. Para minimizar o problema, recomenda-se a cobertura do solo com plantas de serviço, como braquiária, milheto e crotalária. Essas plantas promovem maior disponibilidade de água, estimulam a infiltração e diminuem a evaporação e a temperatura do solo.
No Sul, o risco principal é a erosão hídrica severa. A formação de cobertura vegetal (como centeio, aveia e nabo forrageiro) ainda no período de inverno é uma estratégia para proteger o solo contra o impacto direto das gotas de chuva.
Quais as recomendações para o Sul do Brasil?
Para as regiões com expectativa de chuvas acima do normal, a Embrapa indica a adoção de técnicas conservacionistas. A semeadura em nível (ou em contorno) faz com que as linhas acompanhem as curvas do terreno, reduzindo a velocidade do escoamento da água e favorecendo a infiltração no solo.
O uso de terraços também é recomendado para garantir a drenagem superficial e o controle do escoamento. Além disso, o manejo fitossanitário (controle de pragas e doenças) deve ser mais racional, já que o excesso de chuva pode dificultar as pulverizações e exigir um monitoramento atento para evitar desperdícios.
O excesso de chuvas e a menor incidência de sol criam ambiente favorável para doenças fúngicas na soja, como a ferrugem-asiática, mofo-branco, mancha-alvo e antracnose. Em áreas com solos mal drenados ou compactados, pode ocorrer a podridão-radicular de fitóftora, que exige o uso de cultivares resistentes e tratamento de sementes com fungicida.
Qual a estratégia para distribuir os riscos?
Uma recomendação central é a semeadura escalonada, que evita que todo o desenvolvimento da cultura ocorra na mesma fase. Ao combinar o escalonamento com o uso de cultivares de diferentes ciclos, o produtor garante que, caso ocorra um evento climático extremo, nem toda a lavoura seja afetada simultaneamente.
Nas regiões Sudeste e Centro-Oeste, os efeitos devem ser menos perceptíveis na safra de soja, embora o fenômeno possa provocar temperaturas mais altas e atraso no início das chuvas de verão. Mesmo assim, as práticas de manejo indicadas para o Norte, Nordeste e Sul podem ser estendidas para essas áreas.
