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Agronegócio

Antecipação de embarques pode esgotar cota de carne para a China até abril de 2027

Antecipação de vendas para cumprir cota de 2027 pode levar ao preenchimento do volume total até o primeiro quadrimestre do ano, diz Abiec.

Por Redação Diário Local

A antecipação de embarques de carne bovina do Brasil para a China, visando o cumprimento da cota de 2027, pode levar ao preenchimento dos 1,128 milhão de toneladas estabelecidos para o ano até o final de março ou abril de 2027. A avaliação foi feita pelo presidente da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais (Abiec), Roberto Perosa, nesta quinta-feira (17).

Os embarques para a China, que devem ocorrer com tarifa de 12%, têm previsão de início para novembro de 2026. O volume da cota para o próximo ano terá um aumento de 22 mil toneladas em relação ao volume de 2026.

O país asiático aplicou salvaguardas que estabelecem uma tarifa de 55% para compras fora da cota nos anos de 2026, 2027 e 2028. Esse cenário motivou o setor a buscar o cumprimento antecipado dos volumes permitidos com menor custo tributário.

Quais são os riscos para o setor?

A Abiec defende que os embarques para o mercado chinês deveriam ser dosados por meio de medidas governamentais. O objetivo é evitar que o preenchimento da cota ocorra de forma acelerada, o que pode gerar desafios para o setor produtivo nos meses subsequentes.

Além do ritmo de vendas, há incertezas sobre a demanda chinesa. Segundo Perosa, a China possui estoques elevados de carne bovina e está em nível máximo de produção de carne suína e de aves, o que pode influenciar o ritmo de compra do produto brasileiro.

No setor frigorífico, existe o consenso de que a cota deveria ser dividida entre as empresas para reduzir o impacto de uma aceleração súbita de vendas. Em 2026, o setor enfrentou dificuldades de margem após o preenchimento acelerado da cota em julho.

O cenário com a União Europeia

Sobre o mercado europeu, o presidente da Abiec acredita que o Brasil não resolverá o embargo à carne bovina até o fim deste ano, mas mantém a expectativa de retomar as exportações para a União Europeia no primeiro semestre de 2027.

O Brasil não exporta carne bovina para a União Europeia desde 3 de setembro, devido a exigências sobre a comprovação da não utilização de antimicrobianos. Para tentar reverter a situação, a indústria protocolou no Ministério da Agricultura um termo de adesão às regras europeias assinado por 100% das indústrias.

O Ministério da Agricultura estuda um possível período de transição para o setor, considerando que o ciclo de vida do bovino é mais longo que o de outras proteínas. O mercado europeu representou embarques de cerca de US$ 1 bilhão para o setor no ano passado.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.