Advogada é presa na Ilha do Governador por suspeita de desviar bens de idosa de 90 anos
Jéssica Cabral Barradas é suspeita de ocultar documentos de idosa falecida e realizar transferências indevidas de patrimônio.
Por Redação Diário Local
Uma advogada foi presa em flagrante nesta sexta-feira (2) na Ilha do Governador, Zona Norte do Rio, sob suspeita de ocultar documentos de uma idosa de 90 anos que morreu há sete anos. A ação foi realizada por policiais civis da 37ª DP (Ilha do Governador) em um apartamento na Cacuia, onde foram encontrados itens pessoais da vítima e indícios de desvio de patrimônio.
Durante o cumprimento de um mandado de busca e apreensão determinado pela Justiça, os agentes localizaram a certidão de óbito e a carteira de identidade originais da idosa, que faleceu em julho de 2019. A investigação aponta que a suspeita, Jéssica Cabral Barradas, era vizinha da vítima e atuava como sua curadora desde 2014, cargo que lhe conferia a responsabilidade de administrar o patrimônio da pensionista.
Segundo a Polícia Civil, foram identificadas transferências da conta da idosa para a conta pessoal da advogada. As movimentações financeiras não só ocorreram durante a curatela, como teriam continuado mesmo após o falecimento da antiga curatelada. A idosa recebia pensão militar e benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), recursos que deveriam ser usados exclusivamente em seu benefício.
O filho da idosa relatou que tentava recuperar os documentos originais desde o óbito da mãe, mas a advogada alegava que os papéis estavam guardados em caixas. A retenção dos documentos impediu a abertura do inventário e a regularização da sucessão. Para acionar o seguro de vida da mãe, o herdeiro precisou recorrer a uma segunda via da certidão de óbito, obtida apenas em 2023.
Além da papelada, os policiais apreenderam joias, equipamentos eletrônicos e talheres banhados a ouro. Na delegacia, o herdeiro reconheceu o relógio e os talheres como pertencentes à mãe, conforme já havia descrito em depoimento anterior. O celular da advogada também foi apreendido após mais de uma hora de buscas, sendo encontrado dentro do ralo do banheiro, o que levanta a suspeita de que foi escondido para evitar a apreensão judicial.
A investigada já responde por 16 crimes relacionados ao patrimônio da idosa. Entre as acusações constam 12 crimes de apropriação de rendimentos de pessoa idosa, dois furtos qualificados mediante fraude e duas falsidades ideológicas. O processo também aponta a omissão de rendimentos nas prestações de contas sobre a administração dos bens.
A operação contou com o acompanhamento de representantes da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/RJ). Os aparelhos eletrônicos apreendidos serão submetidos à perícia para a extração de dados, enquanto os objetos de valor passarão por avaliação antes de serem restituídos à família.
Após os procedimentos de praxe na delegacia, a advogada será encaminhada à Justiça. O caso segue sendo investigado pela 37ª DP (Ilha do Governador).
