Águas de São Pedro lidera ranking de condições de vida para mulheres no Brasil
Levantamento da Tewá 225 aponta Águas de São Pedro como melhor cidade para mulheres, mas alerta para falta de dados de segurança.
Por Redação Diário Local
O município de Águas de São Pedro, no interior de São Paulo, apresenta as melhores condições de vida para mulheres entre as cidades brasileiras. O resultado faz parte do Índice Municipal de Gênero (IMG), um levantamento inédito realizado pela Tewá 225 que analisou os 5.570 municípios do país.
A cidade paulista, que possui menos de 3 mil habitantes, alcançou 67,06 pontos no índice. A média nacional registrada no levantamento foi de 50,60 pontos. Entre as cidades com população acima de 500 mil habitantes, Curitiba, no Paraná, obteve a maior pontuação, com 65,08 pontos.
O pior desempenho do ranking foi registrado em Uiramutã, em Roraima, que somou 28,14 pontos em uma população de quase 14 mil pessoas.
Quais são os principais desafios para as mulheres?
O levantamento indica que a participação política e a saúde são os setores com os resultados mais baixos em nove de cada dez cidades brasileiras. A participação política registrou a pior média nacional, com 29,59 pontos, evidenciando que 68,7% dos municípios não possuem Conselho Municipal dos Direitos da Mulher.
Na área da saúde, a média nacional foi de 30,42 pontos. O estudo aponta que apenas 24,74% das gestantes realizam seis ou mais consultas de pré-natal, enquanto apenas 36,14% das mulheres têm acesso a exames preventivos, como o Papanicolau.
Em termos regionais, o Nordeste teve a maior média em participação política (38,17 pontos), enquanto o Sudeste teve a menor (22,14 pontos). Já na saúde, o Sul lidera o desempenho regional com 37,29 pontos, contra 20,51 pontos na região Norte.
O risco da subnotificação na segurança
Embora a dimensão de segurança tenha apresentado a maior média entre os indicadores avaliados, com 91,88 pontos, o relatório traz um alerta sobre a qualidade desses dados. O índice aponta que a falta de informações pode inflar os resultados positivos.
Segundo o IMG, 1.480 municípios (27% do total) não registraram casos de feminicídio. Além disso, houve ausência de registros de estupro em 591 cidades e de violência doméstica em 84 municípios. O levantamento destaca que pontuações altas nesses setores podem refletir subnotificação e não a inexistência de violência.
A falta de dados é apontada como um obstáculo para a criação de políticas públicas. Segundo Luciana Sonck, especialista em governança e CEO da Tewá 225, a ausência de informações impede a proteção efetiva das mulheres e torna as demandas do gênero invisíveis para a gestão pública.
