Presença de armas em residências eleva risco de feminicídio em Minas Gerais, aponta pesquisa
Mulheres que convivem com armas de fogo têm 27 vezes mais chances de morrer após registro de violência doméstica, segundo estudo.
Por Diário Local
A presença de armas de fogo em residências aumenta em 27 vezes o risco de morte para mulheres que já registraram episódios de violência doméstica, segundo uma pesquisa baseada em dados da Polícia Civil de Minas Gerais. O estudo analisa o período entre 2010 e 2023 e aponta que a maior circulação de armamentos facilita desfechos fatais em conflitos que antes resultavam apenas em agressões físicas.
A pesquisa, intitulada “Violência Doméstica e Respostas Institucionais”, é coordenada pelas pesquisadoras Ludmila Ribeiro e Maria Elisa Gomes. O trabalho utiliza um banco de dados da Polícia Civil de Minas Gerais, cedido ao projeto Vida em 2024, que reúne registros classificados no âmbito da Lei Maria da Penha.
Entre janeiro de 2019 e maio de 2026, o estado de Minas Gerais contabilizou um total de 2.725 vítimas de feminicídio, somando casos consumados e tentativas. O levantamento indica que a capital, Belo Horizonte, concentra o maior número de registros no estado, com 347 casos no período analisado.
Onde há maior concentração de casos?
Além de Belo Horizonte, o levantamento aponta que a violência é acentuada em municípios da Região Metropolitana, como Betim, com 27 casos consumados, e Contagem, com 21 casos consumados. Outras cidades como Uberlândia e Ribeirão das Neves também aparecem com recorrência nos registros anuais de ocorrências.
No ano de 2026, entre janeiro e maio, Minas Gerais já registrou 148 vítimas, sendo 63 casos consumados e 85 tentativas. O mês de fevereiro deste ano foi o que apresentou o maior número de feminicídios consumados para esse mês específico desde o início da série histórica em 2019, com 23 ocorrências.
As pesquisas indicam que os autores dos crimes são, na maioria das vezes, homens motivados por sentimentos de ciúmes ou rejeição após o término de relacionamentos.
Quais as medidas de proteção mais eficazes?
As Patrulhas de Prevenção à Violência Doméstica são apontadas como uma das políticas públicas mais eficientes, atuando tanto na proteção das vítimas quanto na tentativa de desconstrução de comportamentos dos agressores. No entanto, o alcance do programa é considerado limitado, visitando no máximo 1% das mulheres que possuem medidas protetivas em Belo Horizonte.
Outra ferramenta destacada é o Formulário Nacional de Avaliação de Risco (Fonar), utilizado para identificar mulheres com maior probabilidade de sofrer feminicídio. Segundo a pesquisa, o instrumento ainda é pouco utilizado pelas instituições de segurança pública para orientar o acompanhamento prioritário de vítimas.
Para reduzir os índices, a análise defende uma atuação integrada entre segurança pública, educação, saúde e assistência social, visando romper o ciclo de violência desde a fase escolar e melhorar a fiscalização das medidas protetivas já existentes.
