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Cultura

Batalha do Bandeirantes, de Juiz de Fora, vence prêmio nacional de cultura periférica

Coletivo de Juiz de Fora conquistou primeiro lugar em seleção com mais de mil inscritos e receberá R$ 30 mil

Por Redação Diário Local

A Batalha do Bandeirantes, de Juiz de Fora (MG), conquistou o primeiro lugar no Prêmio Nacional Vozes Periféricas. A premiação reconhece iniciativas de batalhas de rima, slams e saraus, e selecionou o coletivo mineiro entre 100 projetos contemplados em todo o país.

O Vozes Periféricas foi lançado este ano pela Secretaria-Geral da Presidência da República, com um investimento total de R$ 3 milhões. Cada um dos 100 coletivos selecionados receberá R$ 30 mil para apoiar trabalhos que já possuem atuação regular nos territórios.

Para participar do processo seletivo, que contou com 1.707 inscrições, os grupos precisavam comprovar atividade cultural e artística em suas comunidades durante o ano de 2025. No caso do coletivo de Juiz de Fora, a conquista celebra quase nove anos de atuação na cultura hip hop.

Como surgiu a Batalha do Bandeirantes?

A iniciativa começou em 2017, quando Robson de Jesus Souza e um amigo decidiram organizar uma roda de rimas no bairro Bandeirantes. O projeto, que começou como uma aposta local, cresceu gradualmente até ganhar projeção nacional.

Robson, conhecido como Menino da Vibe, relatou que a trajetória enfrentou resistências iniciais, inclusive de moradores que associavam a movimentação dos MCs à criminalidade. Com o tempo, a percepção da comunidade mudou acompanhando o crescimento do grupo.

Atualmente, além de organizar a batalha local, Robson atua como mestre de cerimônias em eventos em diversos estados, como Bahia, Sergipe, Mato Grosso e no Distrito Federal, além de participar de grandes batalhas como a da Aldeia e a do Coliseu.

O legado de Adenilde Petrina

A trajetória do coletivo e de seus integrantes também é marcada pela influência de Adenilde Petrina Bispo, que faleceu em 30 de outubro de 2025, aos 73 anos. Educadora e militante, ela atuou por décadas em causas de educação pública, movimento negro e cultura em Juiz de Fora.

Adenilde teve papel fundamental na aproximação de jovens com o hip hop na cidade, inclusive por meio de sua atuação na Rádio Comunitária Mega FM e no Coletivo Vozes da Rua. Para os organizadores da Batalha do Bandeirantes, ela representava o sentido de coletividade necessário para o movimento.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.