Justiça de São Paulo revoga prisão de empresário acusado de matar esposa e apontado como membro de facção
Alex Bispo dos Santos, réu por feminicídio, foi liberado pela Justiça paulista sob medidas cautelares; ele é alvo de investigação sobre uso de verba pública.
Por Redação Diário Local
A Justiça de São Paulo revogou, no último dia 6 de agosto (6), a prisão do empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, de 40 anos. Ele é réu acusado de matar a esposa, Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos, ao jogá-la do 10º andar de um edifício na Zona Sul da capital paulista.
Alex Bispo já deixou o sistema prisional após a decisão proferida pelo juiz da 5ª Vara do Tribunal do Júri, na Barra Funda. Ao conceder a liberdade, o magistrado estabeleceu regras para o réu, que deve manter o endereço e o telefone atualizados e comparecer ao juízo bimestralmente.
O empresário também está proibido de se ausentar da cidade por mais de oito dias e de manter qualquer tipo de contato com as testemunhas do crime. O caso de feminicídio ocorreu na madrugada de 29 de novembro do ano passado, após câmeras de vigilância registrarem agressões contra a vítima no estacionamento do condomínio.
Além da acusação de homicídio, o Ministério Público de São Paulo aponta que o empresário teria vínculo com a facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo a investigação, ele seria conhecido pelo apelido de "Escorpião do PCC".
Alex era proprietário da empresa Favela Conectada Serviços e Tecnologia Ltda., que possuía contrato com o Instituto Conhecer Brasil (ICB). O ICB é gerido pela empresária Karina da Gama e foi contratado pela Prefeitura de São Paulo para instalar pontos de wi-fi gratuito em periferias da capital.
A Favela Conectada foi uma das empresas subcontratadas para executar o serviço, por meio de um contrato inicial de R$ 12 milhões. Após a prisão de Alex, a empresa passou por mudanças societárias e alterou seu nome para Urban Connect Serviços e Tecnologia Ltda., continuando a receber valores do ICB.
Uma segunda empresa terceirizada, a Ultra IP, afirmou em processo no Tribunal de Justiça de São Paulo que a Favela Conectada teria sido utilizada como empresa de fachada. O proprietário da Ultra IP, William Silva Ferreira, alega que a estrutura serviu para sustentar uma fraude no contrato entre o instituto e o município.
O ICB, por sua vez, nega as acusações de fraude. Em nota, o instituto afirma que a empresa Ultra IP descumpriu o acordo, interrompeu parte do serviço e tentou extorquir R$ 2,5 milhões da organização.
Investigação sobre desvio de recursos para filme
A Polícia Civil de São Paulo investiga se recursos do contrato de wi-fi da Prefeitura foram desviados para financiar a produção do filme "Dark Horse". O longa-metragem trata da vida do ex-presidente Jair Bolsonaro e é produzido pela Go UP, empresa de Karina da Gama.
Nesta segunda-feira (24), o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Flávio Dino, determinou que a Polícia Civil paulista compartilhe com a Polícia Federal os documentos e dados brutos apreendidos na chamada ‘Operação Wi-fi’. A medida abrange extrações de celulares e arquivos encontrados em endereços ligados à empresária.
A Polícia Federal também apura o repasse de emendas parlamentares de deputados ligados ao bolsonarismo para as empresas de Karina. A decisão de Dino ocorre após mandados de busca e apreensão realizados no início de junho, que atingiram o ICB, a Urban Connect e a Favela Conectada.
A Polícia Civil informou que recebeu a determinação do ministro no fim da tarde de segunda-feira (24) e tem o prazo de cinco dias para cumprir o envio dos materiais de investigação.
Em sua defesa, a empresária Karina da Gama anexou ao inquérito uma perícia que aponta gastos de R$ 75 milhões na produção do filme. Ela nega o uso de verbas públicas, mas a investigação busca identificar a origem e o destino do dinheiro utilizado na obra.
O Tribunal de Justiça de São Paulo informou, por meio de nota, que não se manifesta sobre questões jurisdicionais. O órgão destacou que os magistrados possuem independência funcional para decidir conforme os autos e que decisões podem ser questionadas via recursos previstos em lei.
