Busca por experiências offline impulsiona negócios de produtos e hábitos do passado no Brasil
Consumidores buscam atividades presenciais, como vinis e fotografia analógica, para reduzir o tempo de uso de telas.
Por Redação Diário Local
O crescimento da vida digital tem estimulado um movimento oposto no Brasil: a busca por consumidores interessados em experiências presenciais, lentas e tangíveis. Essa tendência tem gerado oportunidades de negócio para empreendedores que apostam em produtos e hábitos do passado, como discos de vinil, fotografia analógica e atividades manuais.
O comportamento reflete uma valorização de atividades que exigem tempo, atenção e envolvimento direto, distanciando-se da praticidade instantânea oferecida pelas plataformas digitais e de streaming.
Como o mercado de vinis atrai jovens
Em Macapá (AP), o empreendedor Charles Figueiredo transformou sua coleção particular em uma loja especializada em discos de vinil há cerca de dez anos. O que era considerado um mercado de nicho hoje atrai um público diversificado, com cerca de 70% dos clientes concentrados na faixa etária entre 16 e 26 anos.
Para esse público jovem, o interesse vai além do áudio; envolve o ritual de escolher o álbum, manusear a capa e posicionar a agulha no disco. O negócio, que vende itens a partir de R$ 2, fatura aproximadamente R$ 25 mil por mês, utilizando estratégias como feiras e vendas por catálogo para atrair colecionadores.
O resgate da fotografia analógica
Em Goiânia (GO), a tendência se manifesta através das lentes. Após passar pela transição para o digital, o setor de fotografia viu ressurgir a procura pelo estilo retrô. Segundo o empresário Silvio Alves Domingues, que atua na área há 40 anos, o movimento de retorno ao analógico ganhou força há cerca de oito anos, impulsionado por jovens que buscam imagens mais naturais.
A valorização dos equipamentos é notável: câmeras que anteriormente eram comercializadas entre R$ 100 e R$ 150 podem ser vendidas hoje por valores entre R$ 1.300 e R$ 1.400, dependendo do estado de conservação. O negócio de manutenção e venda de equipamentos analógicos fatura cerca de R$ 100 mil por mês.
Atividades manuais como forma de desconexão
Em São Paulo (SP), a busca por desconexão tem ocorrido por meio de oficinas criativas. Laura Issa mantém um espaço que oferece aulas de pintura em cerâmica, bordado, crochê e aquarela. O modelo de negócio foca em oferecer experiências presenciais para quebrar a rotina de trabalho e o uso excessivo de dispositivos eletrônicos.
O público do espaço é composto majoritariamente por mulheres, cerca de 90%, com maioria entre 30 e 40 anos. Com um investimento inicial de R$ 50 mil e um ticket médio de R$ 250, o empreendimento fatura cerca de R$ 45 mil por mês, atraindo clientes que buscam estabelecer relações reais e diminuir o tempo dedicado a telas de celulares e televisões.
