Denúncias apontam exploração sexual de mulheres e meninas por fundadores das Casas Bahia
Relatos detalham rede de tráfico de mulheres e exploração sexual envolvendo Samuel e Saul Klein, fundadores da varejista.
Por Redação Diário Local
Denúncias apresentadas por vítimas apontam que a estrutura da varejista Casas Bahia foi utilizada, durante três décadas, para uma rede de exploração sexual de meninas e mulheres. Os relatos envolvem o fundador da empresa, Samuel Klein, e seu filho, Saul Klein.
Os primeiros registros de processos contra Samuel Klein datam da década de 90. Segundo os relatos, o empresário atraía adolescentes em situação de vulnerabilidade de diferentes regiões do país. O esquema envolvia a entrega de presentes e dinheiro, com o auxílio de funcionários da varejista para manter as vítimas em imóveis vinculados a Klein.
Apesar das denúncias, Samuel Klein faleceu em 2014, aos 91 anos, sem condenação. Em 2021, depoimentos de vítimas, advogados e ex-funcionários revelaram que muitos crimes já haviam prescrito quando as vítimas buscaram a Justiça, visto que eram adolescentes na época dos fatos.
O que é o PL Caso Klein?
O episódio motivou a criação do projeto de lei conhecido como “PL Caso Klein”. A proposta busca alterar o Código Civil brasileiro para aumentar de 3 para 20 anos o prazo de prescrição para ações de reparação civil em casos de crimes sexuais cometidos contra crianças e adolescentes.
O texto foi aprovado pela Câmara dos Deputados em 2023, mas segue aguardando tramitação no Senado. O objetivo é evitar que a impunidade ocorra devido ao tempo decorrido entre o crime e a busca por justiça pelas vítimas.
Condenação de Saul Klein
O herdeiro de Samuel Klein, Saul Klein, também foi alvo de investigações e recebeu condenação judicial. Em 2023, a Justiça do Trabalho determinou o pagamento de R$ 30 milhões após denúncia do Ministério Público do Trabalho (MPT). A decisão apontou que Saul aliciava mulheres e adolescentes, entre 16 e 21 anos, com falsas promessas de trabalho como modelos.
De acordo com o processo, as vítimas eram submetidas a exploração sexual em um sítio, sob vigilância armada e violência psicológica. A investigação constatou que as mulheres e adolescentes eram obrigadas a manter relações sexuais sob condições análogas à escravidão, resultando em graves consequências psicológicas e contaminação por doenças sexualmente transmissíveis.
Em maio deste ano (2026), Saul Klein tornou-se réu por exploração sexual de mulheres e organização criminosa. A 2ª Vara Criminal de Barueri aceitou a denúncia do Ministério Público de São Paulo, e o caso tramita em segredo de Justiça.
Histórico da varejista
A família Klein manteve controle relevante na Casas Bahia até 2013, quando realizou a venda de parte de suas ações. A companhia passou por mudanças societárias significativas, como a criação da Via Varejo após acordo com o Grupo Pão de Açúcar (GPA). Atualmente, a empresa é uma companhia aberta, mas membros da família, como Raphael Klein, permanecem no Conselho de Administração.
