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Supremo Tribunal Federal

Fachin estabelece regra no STF para evitar escolha automática de relator em novos pedidos

Nova medida exige análise prévia da Secretaria Judiciária para verificar se solicitações têm relação direta com o processo original

Por Redação Diário Local

O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, decidiu nesta sexta-feira (02) que novos pedidos apresentados em processos em andamento passarão por uma análise prévia antes de chegarem ao ministro relator. A medida cria um filtro conduzido pela Secretaria Judiciária e pela Presidência da Corte para verificar se a solicitação possui relação direta com a ação original.

Com a mudança, o protocolo de envio de novos pedidos não garante mais que eles sejam analisados pelo mesmo ministro que já cuida do caso. Se a Secretaria Judiciária e a Presidência do STF entenderem que o novo requerimento não tem ligação com o processo em curso, será aberto um novo processo. Este novo caso seguirá as regras de distribuição do tribunal, o que significa que poderá ser encaminhado a um ministro diferente do que já atuava na ação.

A nova regra poderá ser aplicada a pedidos realizados por pessoas ou entidades que não participam do processo original. No entanto, a filtragem não se aplica a solicitações feitas por advogados das partes envolvidas ou por integrantes do Ministério Público que já atuem na ação correspondente.

Quais pedidos passam pela nova regra?

O filtro será acionado também quando um pedido tentar contestar uma decisão ou ato de uma autoridade ou órgão judicial que não faça parte do processo em questão. Da mesma forma, a medida vale para solicitações que busquem estender uma decisão a pessoas, atos ou situações que não estejam sendo discutidos na ação original.

A regra também contempla pedidos que sejam apresentados contra alguém que não seja parte do processo. O objetivo da etapa adicional é garantir que a distribuição dos processos respeite a competência técnica e evite que novos temas sejam inseridos em ações já existentes sem a devida conexão.

A decisão de Fachin ocorre após o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Kassio Nunes Marques, manifestar preocupação sobre decisões do STF que poderiam interferir em temas de competência do TSE. Nunes Marques citou possíveis problemas com o modelo de definição de qual ministro deve analisar cada caso.

O descontentamento do presidente do TSE surgiu após o ministro Flávio Dino, do STF, determinar a liberação de uma publicação do humorista Antonio Tabet. O conteúdo relacionava o senador Flávio Bolsonaro (PL) a um suposto movimento para retirar o título de padroeira do Brasil de Nossa Senhora Aparecida.

Antes da decisão de Dino, o ministro André Mendonça, no TSE, havia determinado que a publicação fosse retirada do ar. Em mensagem enviada a Fachin, Nunes Marques questionou decisões individuais de ministros do STF que poderiam fazer uma decisão valer para situações que não estavam sendo analisadas originalmente pelo tribunal.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.