Mulher é condenada por levar ex ao tribunal do crime em Campinas após acusação de abuso contra filha
Decisão fixou penas de 32 e 26 anos de prisão para mulheres que planejaram sequestro e tortura de homem em São Paulo.
Por Redação Diário Local
Duas mulheres foram condenadas pela Justiça por participação no sequestro, tortura e execução de um homem em um chamado “tribunal do crime”, em Campinas (SP). Uma das acusadas, que era companheira da vítima, acionou uma facção criminosa após acusá-lo de cometer abuso sexual contra a própria filha do casal.
A decisão, proferida nesta quarta-feira (29), fixou penas de 32 anos e 26 anos de prisão para as rés, ambas em regime inicial fechado. De acordo com a determinação judicial, elas também não poderão recorrer da sentença em liberdade.
Segundo a denúncia apresentada pelo Ministério Público de São Paulo (MPSP), o crime teve início quando uma das condenadas procurou integrantes de uma facção criminosa para relatar o suposto abuso. Em fevereiro de 2022, o homem e a então companheira foram atraídos para uma emboscada sob o pretexto de receber informações sobre o paradeiro de uma adolescente que estaria desaparecida.
Ao chegarem ao local combinado, as vítimas foram mantidas em cárcere privado. As investigações apontaram que o casal permaneceu sob o controle de criminosos por cerca de 12 dias, período em que foram submetidos a sessões de tortura física e psicológica.
O objetivo das agressões era forçar uma confissão sobre o suposto abuso sexual. Durante o período de violência, a mulher que fez a denúncia foi libertada, enquanto o homem foi levado para outros cativeiros e nunca mais foi encontrado.
Em razão do desaparecimento do homem, o MPSP também atribuiu às acusadas o crime de ocultação de cadáver. A promotoria apontou que a mulher que acionou a facção teve participação direta no planejamento da ação e permaneceu no local durante o cárcere e as agressões.
A segunda condenada, conforme a acusação, participou da privação da liberdade das vítimas e das sessões de violência praticadas contra elas. A denúncia também registrou que uma adolescente foi exposta aos crimes praticados pelo grupo criminoso.
Ao final do processo, as duas foram condenadas pelos crimes de homicídio qualificado, cárcere privado, ocultação de cadáver, tortura e associação criminosa.
