Diário Local
Investigação

Coronel da PM de SP manteve convivência com empresário investigado por lavagem de dinheiro para o PCC

Imagens mostram que o oficial da reserva celebrou Ano Novo com Cléber Azevedo, alvo de operação contra lavagem de dinheiro

Por Redação Diário Local

O coronel da reserva da Polícia Militar de São Paulo, Luiz Carlos Pereira Martins, manteve relação de proximidade com o empresário Cléber Azevedo dos Santos mesmo após este se tornar alvo de investigações sobre lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC).

Registros fotográficos indicam que o oficial celebrou o réveillon de 2023 em convivência social com Cléber, meses após a deflagração da Operação Fractal, no fim de 2022, que investigou o empresário por atuação em esquemas financeiros da facção criminosa.

As imagens, publicadas originalmente em redes sociais, mostram o coronel em momentos de lazer ao lado de Cléber e familiares. Em outra ocasião, o oficial e sua esposa foram fotografados em um restaurante dividindo a mesa com o empresário e o advogado Antonio Carlos Ubaldo Júnior.

O que diz a investigação sobre a relação

De acordo com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), o vínculo entre Pereira Martins e o empresário não era apenas institucional ou profissional, mas de caráter pessoal. Mensagens recuperadas por investigadores mostravam que o oficial participava de um grupo de WhatsApp, denominado “Aniversário general”, com Cléber e Robson Martins de Souza.

O grupo permaneceu ativo até pelo menos 21 de novembro de 2023, sendo utilizado para trocas de mensagens sobre encontros e celebrações sociais. Para os promotores do Ministério Público de São Paulo (MPSP), o conteúdo das mensagens e a frequência das fotos reforçam a cronologia de uma proximidade mantida durante o período de investigações.

O advogado Antonio Carlos Ubaldo Júnior, que aparece nas fotos com o coronel, foi preso em março deste ano durante a Operação Bazaar. A operação apurou esquemas de lavagem de dinheiro e corrupção policial envolvendo o advogado e o empresário Cléber.

Esquema de lavagem de dinheiro

O MPSP aponta que Cléber Azevedo dos Santos atuava como um dos operadores de um sistema financeiro destinado a ocultar recursos de criminosos. O esquema funcionava como um tipo de "banco" para membros da organização criminosa, realizando a troca de dinheiro vivo por transferências bancárias e utilizando contas de empresas de terceiros para ocultar os verdadeiros beneficiários.

As investigações detalham que o grupo utilizava plataformas para blindar clientes contra fiscalizações e que poderia movimentar valores provenientes de diversas atividades ilícitas, incluindo o tráfico de drogas. O esquema também envolveria o uso de criptomoedas e pirâmides financeiras para viabilizar as operações.

Produzido pela redação do Diário Local com apoio de automação editorial, sob curadoria e revisão de Davy Albuquerque, editor responsável.