CRO-ES cassa registro de dentista e influencer após novas denúncias de lesões em pacientes
Conselho Regional de Odontologia do Espírito Santo suspendeu também a clínica em Vila Velha após relatos de deformidades e infecções.
Por Redação Diário Local
O Conselho Regional de Odontologia do Espírito Santo (CRO-ES) cassou o exercício profissional da dentista e influenciadora Mariana Laranja. A decisão foi motivada por denúncias de pacientes que relataram deformidades, infecções graves e complicações permanentes após procedimentos realizados em uma clínica em Vila Velha, na Grande Vitória.
Além da cassação da profissional, o conselho determinou a suspensão das atividades da clínica por 30 dias. A medida fundamenta-se em um pedido de uma paciente que sofreu queimaduras de segundo grau no pescoço após um procedimento de ultrassom microfocado, ocorrido em abril de 2025.
De acordo com o documento do CRO-ES, a dentista teria deixado de zelar pela saúde e dignidade da paciente, além de ter negado o acesso ao prontuário médico. O órgão informou que, após a repercussão do caso, outras mulheres procuraram a entidade para registrar denúncias semelhantes.
A decisão de cassação ainda não tem efeito prático imediato. Para que Mariana Laranja seja efetivamente impedida de atuar, a medida precisa ser confirmada pelo Conselho Federal de Odontologia. A profissional foi notificada oficialmente da decisão na sexta-feira (9) e tem o prazo de um mês para apresentar recurso.
Mariana Laranja, de 44 anos, e o sobrinho e sócio Nathan Laranja Roeder Holz, de 25, foram indiciados pela Polícia Civil por lesão corporal culposa. O indiciamento é referente a procedimentos de mini lifting facial realizados na clínica em Vila Velha.
O relatório final da investigação, concluído em abril de 2026, detalhou depoimentos de vítimas e apontou que os profissionais não atenderiam aos requisitos técnicos mínimos para a realização de técnicas cirúrgicas invasivas de maior complexidade. Segundo o inquérito, eles não demonstrariam aptidão para tais práticas.
O que diz a defesa dos profissionais?
A defesa dos dentistas sustenta que os procedimentos foram realizados dentro de uma atuação profissional regular. Os advogados alegam que as intercorrências são possibilidades em tratamentos estéticos e que a profissional é devidamente habilitada e experiente na área.
Os representantes também destacam que o indiciamento é apenas uma etapa inicial da investigação, sem uma conclusão definitiva. Segundo a defesa, o próprio Conselho Federal de Odontologia reconheceu a cirurgia estética orofacial como uma especialidade.
