Delegado preso em operação do MP era responsável por guardar dinheiro de contratos do Rio Metrópole
Investigação aponta que Franquis Dias Nepomuceno usava carro da Polícia Civil para transportar valores de suposto esquema criminoso
Por Diário Local
O delegado da Polícia Civil Franquis Dias Nepomuceno era o responsável por guardar e transportar o dinheiro em espécie sacado das contas de empresas contratadas pelo Instituto Rio Metrópole (IRM), segundo denúncia do Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ).
As investigações da Operação Ouroboros apontam que os valores, oriundos de contratos investigados por suposta fraude, eram retirados das contas bancárias após os pagamentos feitos pela autarquia. O dinheiro era levado para a empresa Rio Forte Vigilância e Segurança Privada, localizada em Jacarepaguá, na Zona Oeste do Rio.
No estabelecimento, os valores permaneciam armazenados até serem distribuídos entre os integrantes da organização criminosa. Segundo o MPRJ, Franquis coordenava pessoalmente a operação e foi visto diversas vezes na sede da empresa, que tem como sócio formal o seu pai, Leilson de Souza Nepomuceno.
Como funcionava o esquema?
De acordo com o Ministério Público, o delegado utilizava um veículo oficial da Polícia Civil para frequentar a empresa de segurança, colocando o automóvel a serviço do esquema. Imagens obtidas durante a investigação mostram o delegado deixando a sede da Rio Forte acompanhado de outro homem.
Além do transporte de valores, as apurações indicam que Franquis atuou na gestão do instituto. Entre o final de 2023 e o início de 2024, ele recebeu poderes para praticar atos de gestão orçamentária, financeira e patrimonial do IRM, função delegada pelo então presidente da autarquia, David Perini Vermelho.
Até o momento de sua prisão, na última terça-feira (9), o delegado ocupava a Diretoria de Desenvolvimento do órgão. A denúncia sustenta que ele e o presidente mantinham uma relação de proximidade durante toda a gestão.
O que é investigado na Operação Ouroboros?
A operação apura um suposto esquema de corrupção, fraude em licitações, lavagem de dinheiro e organização criminosa envolvendo contratos que somam mais de R$ 86 milhões. O Ministério Público identificou contratos suspeitos que indicam o direcionamento de licitações e desvio de recursos públicos.
Entre os contratos investigados está um de R$ 57 milhões para serviços de manutenção e conservação de vias e calçadas na Região Metropolitana. Segundo os promotores, o documento do contrato não especifica em quais ruas ou municípios as intervenções deveriam ocorrer.
A defesa de David Perini Vermelho afirmou que os contratos questionados foram firmados pela gestão anterior do Instituto Rio Metrópole e que os aditivos contratuais seguiram a lei. A defesa declarou ainda que o presidente é inocente e confia na Justiça.
